A imagem de Lionel Scaloni desabando em lágrimas nos braços de Leandro Paredes, logo após a conquista da Copa do Mundo no Catar, tornou-se o símbolo definitivo de uma trajetória improvável. O que começou como uma aposta de risco, cercada de desconfianças, transformou-se em uma era de domínio absoluto, colocando o treinador ao lado de lendas como César Luis Menotti e Carlos Bilardo no panteão do futebol argentino.
Agora, quatro anos após o auge no Catar, Scaloni está diante de um novo marco histórico. A Argentina se prepara para disputar a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha, no MetLife Stadium, em East Rutherford. O confronto representa o teste supremo para um comandante que, apesar de rejeitar comparações com os ídolos do passado, consolidou uma identidade competitiva inabalável para a Albiceleste.
A ascensão improvável de Lionel Scaloni
A nomeação de Scaloni, em setembro de 2018, foi recebida com ceticismo generalizado. Após a eliminação precoce na Copa da Rússia, sob o comando de Jorge Sampaoli, a Associação do Futebol Argentino (AFA) enfrentou dificuldades para encontrar um sucessor. Claudio Tapia, presidente da entidade, optou por promover o assistente, que nunca havia treinado um clube profissional.
A falta de experiência foi o principal alvo de críticas, culminando em declarações ácidas, como a de Diego Maradona, que duvidou da capacidade do técnico em gerir a equipe. Contudo, Scaloni utilizou sua proximidade com os jogadores, especialmente com Lionel Messi — com quem dividiu o gramado na Copa de 2006 —, para construir um projeto alicerçado em um trabalho silencioso e técnico.
Consolidação e a era de ouro da seleção
O processo de reconstrução deu frutos rapidamente, encerrando um jejum de 28 anos sem títulos importantes. A conquista da Copa América de 2021, sobre o Brasil no Maracanã, foi o ponto de virada. A partir dali, a Argentina empilhou troféus, incluindo a Finalíssima contra a Itália e o título mundial no Catar, consolidando uma mentalidade resiliente.
Mesmo diante de adversidades, como a derrota na estreia em 2022 para a Arábia Saudita, o grupo manteve a calma sob a batuta de seu treinador. A trajetória até a final de 2026 reforça essa característica, com vitórias dramáticas contra Inglaterra, Egito, Cabo Verde e Suíça, provando que o time sabe sofrer e responder nos momentos decisivos.
O desafio histórico diante da Espanha
O próximo compromisso no MetLife Stadium coloca Scaloni em uma posição privilegiada na história do esporte. Caso conquiste o bicampeonato mundial consecutivo, o treinador igualará o feito de Vittorio Pozzo, o único técnico a vencer duas edições seguidas da Copa do Mundo, em 1934 e 1938.
Mais do que números, o legado de Scaloni reside na capacidade de adaptação. Como ele mesmo costuma afirmar, o papel do técnico é servir aos jogadores, extraindo o melhor de cada peça em prol de um objetivo coletivo. A final contra a Espanha será o capítulo final de um ciclo que já garantiu seu lugar na história do futebol mundial.
Fonte: gazetaesportiva.com

































