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Saúde renal de Maradona foi ignorada antes da morte, aponta depoimento em julgamento

Saúde renal de Maradona foi ignorada antes da morte, aponta depoimento em julgamento

A condição de saúde de Diego Maradona, especificamente o quadro de doença renal crônica, foi negligenciada durante o período de assistência domiciliar que antecedeu o falecimento do ídolo argentino. A afirmação foi feita pelo nefrologista Hernán Trimarchi durante o julgamento que apura as circunstâncias da morte do ex-jogador, ocorrida em novembro de 2020. Segundo o especialista, os sinais de deterioração física eram claros e deveriam ter funcionado como alertas urgentes para a equipe médica responsável.

Falhas no monitoramento clínico e sinais de alerta

O depoimento de Trimarchi, que integra a junta médica responsável pela análise do caso, destacou a ausência de protocolos básicos de cuidado. O médico ressaltou que, diante do histórico de obesidade, hipertensão e uso de substâncias, o monitoramento diário era indispensável. No entanto, a documentação do atendimento domiciliar não apresentou registros de coletas de sangue ou acompanhamento rigoroso dos sinais vitais.

O especialista enfatizou que a combinação de ganho de peso e oscilações na pressão arterial exigia intervenções imediatas. A falta de exames laboratoriais básicos impediu que a equipe médica ajustasse o tratamento ou identificasse a gravidade da sobrecarga renal, que, segundo o perito, apresentava danos significativos e um estado de saúde visivelmente fragilizado.

Interação medicamentosa e riscos cardíacos

A complexidade do quadro clínico de Maradona foi agravada pela administração de medicamentos psicotrópicos. O toxicologista Carlos Damin, que também prestou depoimento, reforçou a necessidade de vigilância constante sobre as funções hepática e renal do paciente. Como os fármacos utilizados eram metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins, a integridade desses órgãos era vital para evitar complicações sistêmicas.

Damin alertou que a medicação prescrita possuía potencial para desencadear problemas cardíacos, especialmente em um organismo que já apresentava falhas funcionais. A falta de uma avaliação criteriosa sobre a capacidade de excreção renal do ex-jogador colocou em xeque a segurança do tratamento domiciliar, que deveria ter sido conduzido sob protocolos de maior rigor técnico.

O andamento do processo judicial

O julgamento, que teve início em abril, busca determinar a responsabilidade de sete profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e um psicólogo, acusados de homicídio com dolo eventual. A tese da acusação sustenta que os réus tinham plena consciência de que suas omissões poderiam resultar no óbito do paciente, ocorrido em Tigre, na região norte de Buenos Aires, após uma intervenção neurocirúrgica.

Até o momento, mais de 60 testemunhas foram ouvidas, e o processo segue em tramitação com previsão de continuidade até setembro. Todos os acusados negam as acusações de negligência. O caso, que é acompanhado de perto pela opinião pública argentina, reabre debates sobre a qualidade da assistência prestada a figuras públicas e a responsabilidade ética dos profissionais envolvidos em cuidados domiciliares de alta complexidade.

Fonte: gazetaesportiva.com

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