A 14ª edição da Copa Africana de Nações (CAN) feminina atingiu seu momento decisivo, consolidando-se como um marco histórico para o futebol no continente. Com 16 seleções divididas em quatro grupos, o torneio não apenas coroa a melhor equipe da África, mas também funciona como a porta de entrada para a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil. As quatro seleções que alcançarem as semifinais garantem vaga direta no Mundial, elevando a competitividade e a importância estratégica de cada partida disputada em solo marroquino.
A estreia histórica de Cabo Verde e o aprendizado em campo
Para seleções como Cabo Verde, a participação na competição representou um divisor de águas. Apesar de não avançar ao mata-mata, a equipe conquistou seu primeiro ponto na história do torneio ao empatar em 1 a 1 com Camarões. A atacante Silviane Gomes descreveu a experiência como uma aventura humana transformadora, enquanto Evy Pereira celebrou o marco de ter anotado o primeiro gol caboverdiano na competição.
A defensora Eleia Vieira, eleita a melhor em campo no confronto contra as camaronesas, destacou que o aprendizado adquirido serve como base para o crescimento do futebol feminino no país. O jornalista Marco Martins, enviado especial da RFI, ressalta que a seleção caboverdiana, com apenas oito anos de existência oficial, ainda busca a profissionalização de suas atletas, muitas das quais atuam na segunda divisão portuguesa ou em ligas locais sem estrutura profissional.
O domínio absoluto da Nigéria no cenário continental
Enquanto estreantes buscam seu espaço, a Nigéria reafirma sua hegemonia histórica. Com 10 títulos conquistados em 13 edições, as nigerianas mantêm um aproveitamento impecável em finais desde 1998. Esse sucesso é atribuído a um investimento cultural e estrutural de longo prazo, que permitiu que diversas atletas do país atuassem em ligas de elite nos Estados Unidos, França, Espanha e Inglaterra.
O cenário atual da CAN também revelou o surgimento de novas forças. O Malawi, em sua primeira participação, superou as expectativas ao avançar na liderança do Grupo C, à frente da própria Nigéria. Outras seleções como Marrocos, Argélia, Costa do Marfim, África do Sul, Camarões e Gana completam o quadro das equipes que seguem vivas na disputa pelo título e pela classificação mundialista.
A corrida pelas vagas no Mundial de 2027
A pressão por resultados é intensificada pelo regulamento que vincula o desempenho na CAN à Copa do Mundo no Brasil. Além das quatro vagas diretas para as semifinalistas, as seleções eliminadas nas quartas de final ainda mantêm esperanças, disputando um torneio paralelo que concede duas vagas adicionais para a repescagem da FIFA.
Para as atletas, a possibilidade de disputar o Mundial é o ápice da carreira profissional. A final da competição está agendada para o próximo domingo (16), às 16h (horário de Brasília), na cidade de Rabat. O desfecho definirá não apenas a nova campeã africana, mas também quais nações carimbarão o passaporte para o maior evento de futebol feminino do mundo em território brasileiro.
Fonte: terra.com.br


































