Home / ESPORTES / Um século da estreia profissional de Suzanne Lenglen e o legado no tênis

Um século da estreia profissional de Suzanne Lenglen e o legado no tênis

Um século da estreia profissional de Suzanne Lenglen e o legado no tênis

Há exatos 100 anos, em 1926, o mundo do tênis testemunhava um momento revolucionário com a estreia profissional da lendária Suzanne Lenglen. A decisão da tenista francesa de trocar o status amador pelo profissionalismo não apenas chocou a elite esportiva da época, mas também lançou as bases para uma transformação duradoura na forma como o esporte era percebido e praticado, muito antes da popularmente conhecida Era Aberta.

A Era Aberta, iniciada em 1968, é frequentemente, e erroneamente, creditada como o marco zero do tênis profissional. Contudo, sua verdadeira importância reside em ter sido o período em que tenistas profissionais finalmente puderam competir nos quatro torneios mais prestigiados do circuito – o Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e o US Open. Antes de 1968, esses Grand Slams eram reservados exclusivamente para atletas amadores, criando uma dicotomia que Lenglen ousou desafiar.

A ousadia de Suzanne Lenglen e a virada para o profissionalismo

Suzanne Lenglen, conhecida como “La Divine”, já era uma figura icônica no tênis amador, com uma coleção impressionante de títulos de Grand Slam, incluindo seis vitórias em Wimbledon e seis em Roland Garros. Sua habilidade incomparável e seu carisma a tornaram uma das primeiras superestrelas globais do esporte. No entanto, as rígidas regras do amadorismo impediam que atletas como ela lucrassem com seu talento, mesmo enquanto geravam imensa receita para os torneios.

Em 1926, Lenglen tomou a decisão audaciosa de assinar um contrato com o empresário americano Charles C. Pyle, tornando-se a primeira grande estrela do tênis a se profissionalizar abertamente. Este movimento foi um divisor de águas, pois ela embarcou em uma turnê de exibição pelos Estados Unidos, enfrentando a americana Mary K. Browne, também uma ex-campeã amadora. A turnê, que começou no Madison Square Garden, em Nova York, atraiu multidões recordes e provou que havia um vasto público interessado em ver o tênis de alto nível, independentemente do status amador ou profissional dos jogadores.

O cenário do tênis antes da Era Aberta

Antes da Era Aberta, a distinção entre amadores e profissionais era extremamente rigorosa. Enquanto os amadores podiam competir nos maiores torneios, eles eram proibidos de aceitar qualquer tipo de pagamento ou prêmio em dinheiro. Os profissionais, por outro lado, eram excluídos desses eventos e ganhavam a vida através de turnês de exibição e aulas, muitas vezes em condições financeiras precárias e com menor visibilidade.

Essa separação gerava o que era conhecido como “shamateurism” (amadorismo de fachada), onde muitos atletas amadores recebiam compensações “por fora” para manterem seu status e poderem jogar os Grand Slams. A atitude de Lenglen de se profissionalizar abertamente expôs essa hipocrisia e forçou uma discussão sobre a necessidade de um sistema mais justo e transparente para os atletas.

O legado de Lenglen e a pavimentação do caminho para o tênis moderno

A coragem de Suzanne Lenglen em se tornar profissional abriu um precedente crucial. Sua turnê de 1926 demonstrou a viabilidade econômica do tênis profissional e inspirou outros grandes nomes do esporte a seguir o mesmo caminho nas décadas seguintes, como Bill Tilden e Ellsworth Vines. Esses pioneiros mantiveram vivo o tênis profissional em um circuito paralelo, longe dos holofotes dos Grand Slams, mas fundamental para o desenvolvimento do esporte.

A pressão crescente de jogadores e promotores, aliada à percepção de que o amadorismo estava se tornando insustentável, culminou na decisão histórica de 1968 de abrir os Grand Slams para profissionais. A Era Aberta não foi o início do tênis profissional, mas sim a sua unificação, permitindo que os melhores jogadores do mundo competissem entre si, independentemente de seu status. O legado de Lenglen, portanto, é o de uma visionária que, um século atrás, teve a audácia de desafiar as normas e, com isso, ajudou a moldar o tênis em um esporte globalmente profissional e acessível a todos os seus talentos.

Para mais informações sobre a carreira e o impacto de Suzanne Lenglen, clique aqui.

Fonte: uol.com.br

Marcado:

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

@PODCASTGARAGEM

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS

ÚLTIMOS POSTS