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Tadalafila e antidoping: a substância é detectável em exames de atletas?

Tadalafila e antidoping: a substância é detectável em exames de atletas?

A nova série “Jogada de Risco”, disponível no Globoplay, tem gerado discussões ao abordar temas sensíveis e pouco explorados na mídia. Entre as narrativas que capturam a atenção do público, destaca-se a trama envolvendo o personagem Luan, interpretado por Juan Paiva. Ele é visto ingerindo tadalafila, um medicamento para disfunção erétil, e posteriormente tenta fraudar um exame antidoping, levantando uma questão crucial: a tadalafila pode ser detectada e penalizada em testes de atletas?

A preocupação do empresário Maurício, vivido por Cauã Reymond na série, reflete uma dúvida comum no universo esportivo. Contudo, a realidade sobre a detecção e o status da tadalafila em exames antidoping difere da ficção, conforme esclarecimentos de especialistas na área médica e regulatória.

A tadalafila e a lista de substâncias proibidas da WADA

A Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) mantém uma lista rigorosa e anualmente atualizada de substâncias proibidas no esporte. Esta lista é o principal guia para atletas e equipes, definindo o que é considerado doping. No entanto, a tadalafila, um inibidor da fosfodiesterase tipo 5, não figura entre os compostos vetados pela agência.

O médico cardiologista Gustavo Duque, do hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, explica que a detecção da tadalafila em uma amostra de urina ou sangue de um atleta não configura, por si só, uma violação das regras antidoping. A lista da WADA abrange categorias como esteroides anabolizantes, hormônios peptídicos, estimulantes e narcóticos, mas não inclui medicamentos como a tadalafila.

Ausência de evidências para ganho de desempenho atlético

A decisão da WADA de não incluir a tadalafila em sua lista de substâncias proibidas baseia-se na falta de evidências científicas robustas que comprovem um ganho injusto de rendimento em atletas saudáveis. A agência já monitorou e avaliou os inibidores tipo 5, mas concluiu que não há dados suficientes para justificar sua proibição em condições normais.

Segundo o cardiologista, não existe comprovação clínica de que a tadalafila melhore força, hipertrofia muscular, velocidade ou desempenho aeróbico em atletas que atuam ao nível do mar. A percepção de seu benefício no meio esportivo parece estar mais ligada ao mecanismo de vasodilatação e a uma sensação subjetiva de “pump” muscular, além de extrapolações de estudos realizados em contextos de doenças cardiopulmonares ou em ambientes de baixa oxigenação.

O rigor do processo de exame antidoping

Apesar de a tadalafila não ser uma substância proibida, o processo de exame antidoping é desenhado para ser extremamente resistente a manipulações e fraudes, como a tentativa do personagem Luan na série. A coleta da amostra é supervisionada por um oficial de controle de dopagem, garantindo a integridade do processo. O atleta fornece a amostra, geralmente urina, sob observação direta.

A amostra é imediatamente dividida em duas partes, A e B, que são lacradas e identificadas com códigos de barra e lacres de segurança na presença do atleta. Em caso de resultado positivo na amostra A, o atleta tem o direito de solicitar uma análise independente da amostra B, funcionando como uma salvaguarda contra possíveis erros laboratoriais. Os laboratórios credenciados pela WADA empregam as mais modernas técnicas de análise, capazes de detectar substâncias em concentrações mínimas.

Riscos e precauções no uso da tadalafila

Mesmo não sendo considerada doping, o uso da tadalafila sem indicação e acompanhamento médico apresenta riscos significativos à saúde. Entre os principais perigos está a possibilidade de uma queda acentuada na pressão arterial, especialmente quando há interação com outros medicamentos. Este risco é amplificado em atletas submetidos a treinamento físico intenso.

Outras complicações potenciais incluem danos musculares induzidos pela atividade física, priapismo (ereção prolongada e dolorosa), perda auditiva súbita e, em casos raros, perda de visão devido a uma neuropatia do nervo óptico. O Dr. Gustavo Duque enfatiza que a tadalafila é um medicamento de prescrição médica, com indicações bem definidas, e seu uso indiscriminado pode acarretar sérios problemas para o coração e os músculos, especialmente em indivíduos que praticam esportes de alta intensidade.

Acesse a lista de substâncias proibidas da WADA para mais informações.

Fonte: terra.com.br

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