A cultura de convivência com vencimentos pendentes no futebol brasileiro voltou a ser alvo de duras críticas. O comentarista Paulo Vinícius Coelho, em participação no programa De Primeira, do portal UOL, classificou como “inacreditável” a naturalização de salários atrasados no São Paulo, um problema que, segundo relatos, tem afetado o elenco tricolor de forma recorrente.
O debate ganhou força após jogadores do clube se reunirem com integrantes de torcidas organizadas no CT da Barra Funda, na última segunda-feira (24). Embora a diretoria do São Paulo admita pendências referentes a direitos de imagem, o clube sustenta que os pagamentos via CLT permanecem em dia. Contudo, para os atletas, a composição total dos vencimentos é impactada diretamente por essas falhas contratuais.
A normalização de dívidas no cotidiano do futebol
Durante a análise, PVC destacou falas de atletas, como Luciano, que evidenciam a longevidade do problema. A percepção de que o atraso é uma constante desde 2020 gera um cenário de instabilidade que, segundo o colunista, não deveria ser aceito como parte da rotina de uma instituição esportiva de elite.
O repórter Gabriel Sá, que acompanhou o encontro no CT, confirmou que o atraso varia entre dois e quatro meses, dependendo do contrato de cada jogador. O reconhecimento público da pendência por parte da cúpula tricolor reflete a tentativa de conter o desgaste interno, mas a situação expõe uma fragilidade administrativa que reverbera no desempenho esportivo.
Vácuo de comando e ausência de liderança
Além da questão financeira, a crítica se estende à gestão do dia a dia do clube. PVC apontou a falta de presença da diretoria no vestiário como um fator agravante. Esse distanciamento entre a cúpula e o elenco cria um vácuo de autoridade que dificulta a resolução de crises em momentos de instabilidade técnica.
A cobrança das organizadas também mirou a falta de transparência dos dirigentes. A ausência de entrevistas coletivas e o silêncio da cúpula em momentos de pressão foram destacados como pontos negativos, evidenciando uma falha na comunicação institucional que isola o elenco em meio a resultados negativos.
Pressão por resultados em campo
O momento do time, que atravessa uma sequência de 10 jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro, adiciona uma camada extra de tensão. Embora não exista, neste momento, um movimento oficial para a substituição da comissão técnica liderada por Dorival Jr., a pressão por uma resposta imediata é evidente.
O confronto do próximo sábado (29), contra o Bragantino, é tratado internamente como um divisor de águas. A expectativa é que o time apresente uma mudança de postura diante de sua torcida, sob pena de ver a crise administrativa e esportiva escalar para medidas mais drásticas na estrutura do departamento de futebol.
Fonte: uol.com.br


































