A gestão de Gianni Infantino na presidência da Fifa enfrenta um momento de instabilidade política sem precedentes. Mesmo após o anúncio oficial da retirada do polêmico projeto que visava abrir competições internacionais a investidores privados, as confederações da Europa (Uefa) e da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) mantêm uma postura crítica e exigem mudanças profundas na governança da entidade máxima do futebol mundial.
O recuo de Infantino ocorreu na noite de sexta-feira, após a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) enfrentar uma rejeição generalizada. O projeto previa a gestão comercial de eventos, incluindo a Copa do Mundo, por entes privados. O dirigente ítalo-suíço admitiu que a iniciativa gerou divisões internas e não atendia mais aos objetivos estratégicos da organização, em um cenário agravado pela renúncia de seu principal assessor, Carlos Cordeiro.
Críticas à transparência e conflitos de interesse
Um dos pontos centrais do descontentamento das federações reside na falta de clareza sobre os potenciais parceiros comerciais. O plano incluía o fundo Thrive Eternal, gerido por Joshua Kushner, o que levantou suspeitas sobre conflitos de interesse e proximidade política com o governo dos Estados Unidos. A Uefa, liderada por Aleksander Ceferin, classificou a tentativa de implementação do projeto como uma manobra opaca e arquitetada nos bastidores.
Em nota oficial, a confederação europeia afirmou que a retirada da proposta é apenas um primeiro passo. A entidade reforçou que o compromisso de transparência assumido por Infantino em 2016 não foi cumprido. Para a Uefa, a prioridade deve ser a utilização das reservas financeiras da Fifa, estimadas em 5 bilhões de dólares, para fomentar o desenvolvimento do futebol de base em vez de buscar a privatização de ativos da instituição.
Exigência por revisão na liderança da Fifa
A Concacaf, que sediou a Copa do Mundo de 2026, elevou o tom das críticas ao sugerir que a própria existência do projeto é um reflexo de uma gestão que prioriza interesses externos em detrimento do esporte. A entidade defende abertamente uma revisão integral na liderança da Fifa, sinalizando que a confiança no atual presidente está severamente desgastada a menos de um ano para o fim de seu mandato.
O descontentamento não se limita às confederações citadas. A Federação Inglesa (FA) e a Federação Alemã (DFB) manifestaram apoio a uma análise rigorosa sobre a governança da entidade. Enquanto isso, a Confederação Asiática (AFC) reiterou a necessidade de respeito aos processos coletivos, e a Conmebol solicitou esclarecimentos adicionais sobre as movimentações financeiras propostas. O caso, detalhado pela AFP, expõe a fragilidade política de Infantino antes das eleições de março de 2027.
Fonte: gazetaesportiva.com

































