Uma organização não governamental solicitou formalmente à Fifa que declare Gianni Infantino inelegível para a próxima eleição presidencial da entidade. O pedido da FairSquare, uma organização sem fins lucrativos dedicada à governança democrática no esporte, baseia-se na alegação de que o atual presidente já estaria cumprindo seu terceiro e último mandato permitido pelos estatutos da federação.
A controvérsia central gira em torno da interpretação do período de 2016 a 2019, que Infantino argumenta não deveria ser contabilizado como um mandato completo. A FairSquare, no entanto, contesta essa leitura, afirmando que ela viola as regras internas da Fifa e abriria um precedente para uma gestão estendida além dos limites estabelecidos.
ONG FairSquare formaliza pedido de inelegibilidade
A FairSquare, que se descreve como atuante por uma governança mais democrática no esporte, enviou uma carta em 13 de agosto ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade da Fifa. O documento solicita que a entidade máxima do futebol impeça a recandidatura de Gianni Infantino à presidência, alegando que ele já está em seu terceiro e último mandato.
Na correspondência, a organização argumenta que permitir um novo registro de candidatura abriria caminho para um quarto mandato, estendendo a gestão do dirigente até 2031. A FairSquare enfatiza que uma decisão anterior do Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade de desconsiderar o primeiro mandato de Infantino “viola claramente a letra e o propósito da regra estatutária da Fifa sobre limites de mandatos presidenciais”, conforme reportado pelo The Athletic.
Disputa sobre a contagem dos mandatos de Infantino
O ponto crucial da disputa reside na interpretação do período entre 2016 e 2019. Gianni Infantino, de 56 anos, assumiu a presidência da Fifa em 2016, em um contexto de escândalos de corrupção que abalaram a entidade, sucedendo Sepp Blatter. Ele foi reeleito nas votações seguintes, consolidando sua posição.
Em 2022, Infantino defendeu que seu primeiro ciclo, de 2016 a 2019, não deveria ser considerado um mandato completo, pois foi entendido como a conclusão do período interrompido de seu antecessor. Essa argumentação é a base para sua intenção de concorrer novamente, sendo o único a anunciar oficialmente sua candidatura até o momento.
FairSquare contesta base legal da decisão da Fifa
A FairSquare refuta a interpretação de Infantino, afirmando que a leitura não encontra respaldo nas regras internas da entidade. Segundo a organização, “nem os Estatutos da Fifa nem os Regulamentos de Governança da Fifa preveem que um mandato presidencial possa ser desconsiderado porque não durou o período máximo de quatro anos”.
O grupo também destaca que o texto do estatuto não prevê exceções para mandatos mais curtos ou para o tipo de congresso que elegeu o presidente. “Os estatutos afirmam explicitamente que ‘nenhuma pessoa pode servir como presidente por mais de três mandatos’, sem fazer qualquer distinção quanto a esses mandatos”, escreveu a FairSquare, reforçando que a regra é clara e não abre brechas para interpretações baseadas na duração ou no tipo de eleição.
Transparência e governança: as preocupações levantadas
Além da questão dos mandatos, a FairSquare levanta preocupações sobre a transparência da Fifa. A organização afirma que a decisão citada por Infantino em 2022 nunca foi detalhada publicamente, e um relatório do Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade entregue ao Conselho da Fifa jamais foi disponibilizado, com poucas informações compartilhadas sobre o tema.
A carta da FairSquare também aponta um risco de uso político do calendário eleitoral dentro do Conselho da Fifa. Diante de “vários abusos de poder do sr. Infantino e da falha do Conselho da Fifa em responsabilizá-lo, tal cenário é plausível”, argumenta a ONG, alertando que eleições antecipadas poderiam, teoricamente, permitir que um presidente permanecesse no cargo por tempo indefinido. A organização ainda menciona que a composição e a liderança do comitê de governança mudaram desde 2022, solicitando que os atuais integrantes revisem o entendimento e declarem Infantino inelegível, por considerar que uma nova candidatura violaria os Estatutos da Fifa.
Fonte: uol.com.br


































