A trajetória de Mohamed Ouahbi à frente da seleção principal de Marrocos desafia as expectativas do futebol internacional. Com uma carreira consolidada nas categorias de base, o técnico de 49 anos assumiu o comando da equipe nacional com o desafio de provar que sua transição para o nível profissional adulto seria bem-sucedida, afastando as críticas sobre sua limitada experiência em grandes palcos mundiais.
O treinador, nascido na Bélgica e filho de pais marroquinos, construiu sua reputação através de um trabalho de longo prazo, notadamente no clube belga Anderlecht. Sua ascensão na federação marroquina foi pavimentada por conquistas expressivas, como a vitória na Copa do Mundo sub-20 realizada no Chile em outubro, onde sua equipe superou adversários de peso, incluindo a própria França, que será o próximo desafio nas quartas de final.
A transição das categorias de base para o cenário profissional
Antes de assumir o posto principal em março, a nomeação de Ouahbi gerou debates internos, especialmente após a saída de Walid Regragui. Muitos analistas questionavam se um técnico acostumado ao desenvolvimento de jovens talentos teria a autoridade necessária para gerir um elenco composto por estrelas do futebol mundial.
A resposta veio através dos resultados em campo. Em dez partidas disputadas sob sua gestão, a seleção marroquina permanece invicta, acumulando seis vitórias e quatro empates. Esse desempenho sólido reflete a capacidade do treinador de adaptar sua metodologia de trabalho, focada em valores e princípios, para o ambiente de alta pressão do futebol de seleções.
Identidade tática e a força da motivação
Um dos pilares da gestão de Ouahbi é a imposição de um estilo de jogo próprio, que prioriza a identidade da equipe em vez de reagir apenas às estratégias dos adversários. Segundo Youssouf Hadji, assistente técnico, essa mudança de postura foi fundamental para que o time ganhasse confiança e consistência tática ao longo dos últimos meses.
A habilidade de comunicação do técnico também é frequentemente citada por ex-colegas, como Jean Kindermans. O perfil de motivador permite que ele conquiste o respeito de jogadores experientes, mesmo sem ter tido uma carreira de destaque como atleta profissional, focando na solidez estratégica e na coesão do grupo.
O legado de formação e o futuro em Marrocos
O reconhecimento do trabalho de Ouahbi transcende as fronteiras marroquinas, com homenagens vindas de instituições onde atuou por 17 anos. Sua passagem pelo Al-Fateh, na Arábia Saudita, serviu como uma etapa de transição importante antes de retornar ao futebol marroquino para liderar o projeto de renovação da seleção.
Com o confronto decisivo contra a França se aproximando, o técnico mantém o foco na continuidade do trabalho. O sucesso atual de Marrocos é visto como uma prova de que o investimento na base e a aposta em profissionais com sólida formação técnica podem render resultados imediatos, mesmo quando o histórico profissional é questionado por céticos. Para mais detalhes sobre o cenário esportivo, consulte a Reuters.
Fonte: uol.com.br


































