Investigação do FBI mira operações financeiras da federação argentina nos EUA
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por meio de agentes do FBI, iniciou uma apuração detalhada sobre as movimentações financeiras da Associação de Futebol Argentino (AFA) realizadas em território norte-americano. A investigação, que ganhou tração ao longo de 2025, busca esclarecer a natureza de transações vultosas e verificar a existência de possíveis crimes, como lavagem de dinheiro e fraude bancária, conforme reportado pelo jornal argentino La Nacion.
As autoridades americanas estão focadas em entender como a entidade esportiva operou no país durante a Copa do Mundo. O trabalho dos promotores federais, que inclui nomes como Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, envolve a coleta de depoimentos e a análise minuciosa de registros bancários para reconstruir o fluxo de recursos administrados por empresas parceiras da federação.
O papel da TourProdEnter LLC nas transações internacionais
Um dos pontos centrais da apuração é a atuação da empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor Javier Faroni. Documentos analisados indicam que a companhia teria movimentado centenas de milhões de dólares em contas abertas em instituições como Citibank, Bank of America e JP Morgan, atuando como agente de cobrança de contratos internacionais da AFA.
Segundo as informações levantadas, a empresa teria gerido pelo menos US$ 260 milhões em receitas da entidade. Os investigadores buscam identificar a origem e o destino de parte desses valores, notadamente US$ 57 milhões que foram distribuídos a sociedades e beneficiários sem uma justificativa econômica clara, levantando suspeitas sobre a legalidade das transferências.
Busca por depoimentos e cooperação internacional
A estratégia do Departamento de Justiça envolve a oitiva de diversas testemunhas que possuam conhecimento direto sobre a gestão de Claudio “Chiqui” Tapia e Pablo Toviggino. O empresário Guillermo Tofoni já participou de uma videoconferência de três horas com promotores e agentes baseados em Washington e Miami para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento das operações.
Além disso, o portal La Nacion aponta que as autoridades americanas consideram ouvir ex-integrantes do governo de Javier Milei. O objetivo é obter acesso a informações sensíveis sobre a supervisão das operações da federação nos últimos anos, ampliando o escopo da investigação que pode resultar em novos pedidos de documentos a bancos e empresas envolvidas.
Posicionamento da AFA diante das apurações
Representantes ligados à AFA, em evento realizado em Miami, pediram cautela na interpretação das diligências em curso. Tomás Regalado, embaixador da entidade para a América do Norte, ressaltou que medidas investigativas não determinam, por si sós, responsabilidade ou culpabilidade dos envolvidos. O caso segue sob sigilo e análise das autoridades competentes nos Estados Unidos.
Fonte: uol.com.br


































