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Manifestação sobre Malvinas: Fifa pode punir Argentina e histórico de sanções a atletas

Manifestação sobre Malvinas: Fifa pode punir Argentina e histórico de sanções a atletas

A exibição de uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas” por jogadores da seleção argentina após uma recente vitória contra a Inglaterra reacendeu o debate sobre as regras da Fifa em relação a manifestações políticas no futebol. O incidente, ocorrido após a semifinal da Copa do Mundo em Atlanta, pode resultar em punições para a equipe, conforme precedentes estabelecidos pela entidade máxima do futebol.

As diretrizes da Fifa e da International Football Association Board (IFAB) são claras ao proibir slogans e símbolos de caráter político, religioso ou pessoal. A recorrência de tais manifestações por parte de atletas e equipes tem levado a diversas sanções ao longo da história, destacando a complexidade de equilibrar a liberdade de expressão com a neutralidade exigida em eventos esportivos.

A controvérsia da faixa “As Malvinas são argentinas”

Após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, o meia Giovani Lo Celso exibiu uma faixa com a reivindicação sobre as Ilhas Malvinas/Falklands. Outros jogadores, incluindo Lisandro Martínez, que atua em equipes inglesas, também seguraram o estandarte, que já havia sido visto nas arquibancadas.

A partida, classificada como de alto risco pela Fifa devido ao histórico de rivalidade entre as duas nações, transcorreu sem incidentes violentos, apesar das provocações típicas entre as torcidas. No entanto, a manifestação pós-jogo em campo pode ter consequências disciplinares para a seleção comandada por Lionel Scaloni.

As diretrizes da Fifa e da IFAB sobre manifestações políticas

A International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol, estabelece que “o uniforme não deve conter nenhum slogan, mensagem ou imagem de caráter político, religioso ou pessoal”. A regra se estende a roupas de baixo e proíbe qualquer elemento que não seja o logotipo do fabricante.

Em caso de infração, o regulamento prevê que “o jogador e/ou a equipe serão sancionados pelo organizador da competição, pela federação nacional de futebol ou pela Fifa”. Essa norma visa manter o esporte focado em seus princípios e evitar que plataformas esportivas sejam utilizadas para propagar mensagens que possam gerar divisões ou controvérsias.

Precedentes de sanções: da Argentina a Gibraltar e Kosovo

A seleção argentina já enfrentou sanções por reivindicações semelhantes. Em 2014, a Associação do Futebol Argentino (AFA) foi multada em US$ 33 mil pela Fifa após jogadores exibirem a mesma mensagem sobre as Malvinas antes de um amistoso contra a Eslovênia. A expectativa é que, neste caso, o prazo para uma decisão seja similar.

Outros jogadores também foram advertidos por manifestações políticas. Em 2024, os espanhóis Álvaro Morata e Rodri foram suspensos por uma partida pela UEFA por entoarem “Gibraltar espanhol” durante as celebrações da Eurocopa em Madri. O gesto foi considerado uma violação dos princípios de conduta e uma utilização de evento esportivo para fins não esportivos.

Na Copa do Mundo de 2018, os suíços Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri, de origem kosovar-albanesa, foram multados em 10 mil francos suíços (aproximadamente R$ 63 mil) pela Fifa. Eles fizeram o gesto da “águia de duas cabeças”, símbolo da bandeira da Albânia, ao comemorar gols contra a Sérvia, o que foi interpretado como uma manifestação política relacionada à disputa territorial e étnica na região.

A complexidade das bandeiras e símbolos em competições

A Fifa tem uma abordagem matizada em relação à exibição de bandeiras. Enquanto proibiu as bandeiras do Irã pré-Revolução nos estádios da Copa do Mundo, por não serem símbolos contemplados pelo regulamento da competição, a entidade permitiu a exibição da bandeira palestina por atletas como o técnico egípcio Hossam Hassan e o jogador Lamine Yamal.

A distinção reside no fato de que os territórios palestinos são uma das 211 federações-membro da Fifa. Assim, exibir sua bandeira não infringe o regulamento, pois é considerada a bandeira de uma federação filiada, e não uma manifestação política proibida. Essa interpretação demonstra a complexidade da aplicação das regras, que podem variar de acordo com o status oficial dos símbolos.

A entidade também demonstrou sensibilidade em relação aos anfitriões de grandes competições. Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, a Fifa proibiu capitães de usarem braçadeiras em apoio à comunidade LGBTQ+ (“OneLove”), sob risco de cartão amarelo. Essa decisão evidenciou a disposição da entidade em evitar provocações aos países-sede, mesmo em detrimento de campanhas de inclusão.

A disputa pelas Malvinas, um território ultramarino britânico reivindicado pela Argentina, tem um histórico de conflito que culminou na guerra de 1982. A manifestação dos jogadores argentinos, embora carregada de significado histórico e nacionalista, coloca a equipe sob o escrutínio da Fifa, que busca manter a neutralidade política nos campos de futebol.

Fonte: terra.com.br

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