A jornalista Adriana Araújo, âncora do Jornal da Band, utilizou o espaço do telejornal para tecer críticas contundentes sobre a ética no jornalismo contemporâneo. A manifestação da apresentadora ocorreu após a repercussão de uma pauta produzida pela Record, que pretendia entrevistar Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha, condenado por tentar assassinar a ativista.
O episódio, que gerou amplo debate nas redes sociais, expôs a tensão entre a busca por audiência e a responsabilidade social dos veículos de comunicação. A entrevista, conduzida pelo repórter Roberto Cabrini, tinha como objetivo marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, mas foi alvo de severas críticas por oferecer espaço a um agressor condenado por crimes hediondos.
O posicionamento contra a revitimização
Durante sua fala, Adriana Araújo questionou o critério editorial que permitiria a um criminoso expor sua versão dos fatos, o que, segundo ela, configura uma forma de violência contra a vítima. A jornalista enfatizou que dar palco a quem tentou tirar a vida de uma mulher é uma prática que banaliza a gravidade da violência doméstica.
Para a apresentadora, o jornalismo deve atuar como um instrumento de proteção e conscientização, e não como um meio de promover o que classificou como um prazer sádico. Ela reforçou que a trajetória de Maria da Penha, que transformou sua dor em uma legislação fundamental para a proteção feminina no Brasil, deve ser honrada com seriedade e respeito absoluto.
Independência editorial e o papel da Band
A postura da jornalista reflete seu papel como figura central na campanha A Band Não Se Cala, iniciativa da emissora voltada ao combate ao feminicídio. Adriana Araújo tem reiterado, em diversas ocasiões, que encontrou no atual veículo um ambiente que permite o posicionamento ético com independência editorial.
O episódio destaca a crescente exigência do público por um jornalismo que não utilize o sensacionalismo como ferramenta de audiência. A repercussão do caso demonstra que a sociedade brasileira está cada vez mais atenta à forma como os meios de comunicação tratam temas sensíveis, especialmente aqueles que envolvem direitos humanos e segurança das mulheres.
Fonte: terra.com.br

































