Em uma era marcada pela obsessão com a produtividade constante, o filósofo e professor Clóvis de Barros Filho propõe uma reflexão necessária sobre o valor das atividades que não possuem uma utilidade prática imediata. O questionamento surgiu a partir de uma experiência pessoal durante uma viagem de avião, quando o acadêmico foi confrontado sobre seus interesses pessoais.
O valor do conhecimento além da utilidade
Durante o voo, Clóvis de Barros Filho dedicava-se ao estudo de kanjis, os ideogramas da língua japonesa, simplesmente pelo prazer de desenhá-los e compreendê-los. Ao ser questionado por uma passageira sobre o motivo de tal dedicação, o filósofo negou qualquer intenção de morar no Japão ou de utilizar o idioma para fins profissionais, como ministrar palestras.
A reação da interlocutora, ao concluir que o estudo não possuía uma finalidade utilitária, serviu como ponto de partida para o professor debater a pressão social pelo rendimento. Para o filósofo, a ideia de que todo conhecimento ou hobby deve resultar em lucro, carreira ou benefício futuro é uma armadilha que empobrece a experiência humana.
A experiência como fim em si mesma
A tese central de Clóvis de Barros Filho é que o ato de realizar uma atividade pode ser, por si só, suficiente para torná-la valiosa. Quando o aprendizado ou o lazer proporcionam curiosidade e satisfação, o objetivo já foi alcançado, independentemente de qualquer aplicação prática posterior.
Essa perspectiva desafia a lógica contemporânea que exige que cada minuto do cotidiano seja otimizado. Segundo o filósofo, atividades como ler um livro sem o intuito de aprender algo técnico ou ouvir música apenas pelo prazer do momento são exemplos de vivências que possuem significado intrínseco. Conforme aponta o portal Terra, a reflexão convida o indivíduo a desfrutar do presente sem a necessidade de esperar por uma recompensa externa.
Resistência à cultura da produtividade
A mensagem de Clóvis de Barros Filho atua como um contraponto à pressa e à cobrança por resultados. Ao afirmar que não é preciso esperar por uma mudança de vida para que um hábito valha a pena, ele defende o direito de existir e de se dedicar a interesses que fazem bem ao espírito.
Em última análise, o filósofo sugere que a vida não precisa ser uma sucessão de metas produtivas. Permitir que algumas coisas existam apenas pelo prazer que proporcionam é uma forma de resgatar a liberdade individual em um mundo que, muitas vezes, tenta transformar cada momento em uma ferramenta de trabalho.
Fonte: terra.com.br


































