A Fifa realizou uma reunião de emergência nesta quarta-feira (5), no complexo Mohammed VI, em Salé, próximo a Rabat, para conter a crise institucional deflagrada pela tentativa de abertura da entidade ao capital privado. Em um comunicado oficial divulgado às 19h, a organização admitiu falhas na condução do processo, mas assegurou que o presidente Gianni Infantino mantém o respaldo integral do Conselho Diretivo.
A entidade reconheceu publicamente que erros foram cometidos após o vazamento da proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), que visava gerir atividades comerciais e torneios, como a Copa do Mundo, com aporte de investidores externos. A direção da Fifa pediu desculpas pelo ocorrido e garantiu que o projeto, que gerou forte resistência global, foi definitivamente retirado da pauta.
O fim da proposta de investimento privado
O projeto da FFE foi apresentado de forma sigilosa em 28 de julho e enfrentou oposição imediata de diversos setores do futebol, incluindo a Uefa. A Fifa esclareceu que a intenção não era excluir o Conselho ou as 211 associações-membro do processo decisório, embora tenha admitido que a condução foi inadequada.
Com o recuo, a entidade reforçou que a proposta não está mais em discussão. A decisão de abandonar o plano foi vista como uma tentativa de estancar o desgaste político de Gianni Infantino, que enfrenta questionamentos sobre a centralização de decisões na cúpula do futebol mundial.
Desdobramentos internos e baixas na gestão
A crise gerou um distanciamento perceptível entre o presidente e membros de alto escalão da organização. O secretário-geral, Mattias Grafström, chegou a classificar o episódio como uma série de acontecimentos tristes, celebrando o abandono permanente da iniciativa comercial.
Além das tensões internas, a gestão sofreu perdas significativas, como a demissão de Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, que se posicionou categoricamente contra o projeto. A instabilidade interna reflete o descontentamento de figuras influentes que buscam maior transparência na governança da instituição.
Pressão externa e críticas ao mandato
A reprovação ao modelo de gestão de Infantino extrapolou o ambiente esportivo. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou publicamente a perda de confiança no dirigente, sugerindo que a falta de consulta interna deveria ser um ponto fatal para o seu mandato. O britânico Andy Burnham também endossou as críticas, afirmando que o presidente não seria a pessoa adequada para liderar o órgão.
A Uefa, por meio de notificação oficial, indicou que avalia medidas legais para impedir que a Fifa tome decisões unilaterais. A Associação de Ligas Europeias também se manifestou contrária a outros planos de expansão da Copa do Mundo, aumentando o isolamento político do dirigente ítalo-suíço.
Cenário eleitoral e futuro da presidência
Apesar da pressão, Gianni Infantino segue como o único candidato declarado para a eleição de março de 2027. O dirigente, que está no cargo há uma década, necessita da maioria dos votos das federações-membro para assegurar um novo ciclo de quatro anos.
O cenário, contudo, apresenta sinais de desgaste. Federações como as da Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia já retiraram o apoio oficial. Críticas contundentes, como a do ex-jogador Luís Figo, que classificou Infantino como um vestígio do passado, somam-se às acusações de chantagem feitas pelo príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol. Para mais detalhes sobre o panorama do esporte, acesse a Gazeta Esportiva.
Fonte: gazetaesportiva.com


































