A estrutura de governança do futebol mundial atravessa um momento de tensão sem precedentes. Países europeus sinalizaram a possibilidade de boicotar a próxima Copa do Mundo em resposta direta à intenção da Fifa de criar uma nova empresa para gerir suas operações comerciais e eventos, com a abertura de capital para investidores externos.
A iniciativa, que visa captar recursos bilionários, encontrou resistência imediata na Uefa. O debate sobre a medida deve ganhar corpo em uma reunião virtual agendada para esta semana, reunindo associações nacionais de futebol vinculadas à entidade europeia para discutir os impactos da proposta de Gianni Infantino sobre o futuro do esporte.
A proposta de comercialização da Fifa Forward Enterprise
O plano central da entidade máxima do futebol é a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE). Esta subsidiária, de propriedade integral da federação, ficaria responsável por todas as operações comerciais e de eventos, permitindo a venda de participações minoritárias a investidores externos. A meta financeira declarada é levantar até US$ 4,2 bilhões, com uma avaliação de mercado estimada em US$ 20 bilhões para a nova companhia.
A Fifa argumenta que manterá o controle exclusivo sobre a governança, o calendário de jogos e as decisões regulatórias. Como contrapartida para atrair o apoio das federações, a organização promete um aumento nos repasses financeiros, estimando que cada país membro possa receber até R$ 102 milhões entre 2027 e 2030, caso o modelo de negócio seja consolidado.
Oposição da Uefa e críticas à governança
A reação da Uefa foi contundente, classificando a manobra como uma ultrapassagem de limites institucionais. Em nota oficial, a entidade europeia enfatizou que a essência e a governança do futebol não devem ser tratadas como ativos comerciais, especialmente diante da falta de transparência sobre a origem dos ganhos financeiros e a identidade dos investidores.
A organização europeia convocou ligas, clubes, jogadores e governos a tratarem o assunto com extrema seriedade. Segundo a Uefa, o futebol não pertence à Fifa para que seja comercializado, reforçando que a proteção da integridade do esporte deve prevalecer sobre interesses de mercado. Mais informações sobre o posicionamento das entidades podem ser acompanhadas através da Sky Sports.
Impactos no cenário das próximas Copas
O cenário de incerteza ganha contornos complexos devido à organização da próxima edição do torneio mundial. A competição terá Portugal e Espanha como sedes, ao lado de Marrocos. Adicionalmente, Argentina, Uruguai e Paraguai estão confirmados para receber jogos de abertura, em uma celebração que marca os 100 anos da história das Copas.
A possível ausência ou boicote de seleções europeias colocaria em xeque a viabilidade logística e esportiva do evento. O embate entre a visão comercial da Fifa e a resistência das associações europeias define, neste momento, um dos maiores desafios políticos enfrentados pela gestão de Gianni Infantino à frente da instituição.
Fonte: uol.com.br


































