A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) manifestou apoio formal à decisão da Fifa de retirar a proposta de venda de participação acionária ligada à Copa do Mundo. Em nota oficial divulgada no sábado (1º), a entidade criticou duramente o processo de condução do projeto, classificando a gestão do presidente Gianni Infantino como carente de transparência e governança.
O movimento da Concacaf ocorre em um cenário de crescente isolamento político da cúpula da Fifa. A Uefa, entidade máxima do futebol europeu, também se posicionou de forma contundente, citando a existência de um suposto “esquema secreto” e declarando publicamente a perda de confiança na atual administração de Infantino.
Críticas à governança e ao modelo de gestão
A Concacaf foi enfática ao declarar que a Fifa não deve ser tratada como uma empresa privada, mas sim como uma instituição mantida em confiança para o benefício do esporte mundial. Segundo a confederação, o projeto de criação da Fifa Forward Enterprise, que visava captar cerca de 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,4 bilhões) através da venda de 20% de participação, foi conduzido sem a devida consulta aos membros.
Para a entidade regional, a tentativa de centralizar direitos comerciais e a operação de torneios globais sob uma nova estrutura societária é um sintoma de uma liderança que prioriza o poder em detrimento dos interesses do futebol. A nota reforça que, quando o dever fiduciário de servir às associações não é cumprido, a responsabilização dos dirigentes torna-se uma medida inegociável.
O impacto da proposta de 20 bilhões de dólares
O projeto, que havia sido confirmado na terça-feira (28), previa a criação de uma subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). A iniciativa gerou uma onda de resistência interna, culminando no boicote anunciado pela Uefa a competições organizadas pela Fifa. A pressão externa foi determinante para que a entidade global recuasse na última sexta-feira (31).
A Concacaf destacou que o futuro da Copa do Mundo, considerado o maior ativo do futebol mundial, foi colocado em risco por decisões tomadas fora dos marcos de governança estabelecidos. A confederação elogiou a postura de suas 41 associações-membro, que mantiveram a unidade em defesa da integridade institucional e dos princípios de transparência.
Próximos passos e a busca por responsabilização
Diante do desgaste político, a Concacaf anunciou que seus representantes no Conselho da Fifa atuarão de forma direta para garantir que as falhas de governança sejam corrigidas. O objetivo é utilizar os procedimentos previstos nos estatutos da organização para assegurar que a tomada de decisão volte a ser coletiva e transparente.
A entidade também reafirmou seu compromisso com o programa Fifa Forward, buscando formas de distribuir parte das reservas financeiras para o desenvolvimento do futebol na região. Conforme detalhado pela Fifa em comunicados anteriores, a gestão de recursos deve ser pautada pela sustentabilidade, sem comprometer o futuro compartilhado das associações-membro.
Fonte: uol.com.br


































