As variações climáticas extremas associadas ao fenômeno El Niño, que incluem desde secas severas até períodos de chuvas intensas e temperaturas acima da média, representam uma ameaça crescente à saúde pública no Brasil. Segundo um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço das Nações Unidas, a instabilidade do clima pode facilitar a propagação de diversas enfermidades infecciosas e sobrecarregar o sistema de atendimento médico em várias regiões do país.
Impactos do El Niño na proliferação de arboviroses
O cenário climático atual favorece a reprodução de vetores, elevando a probabilidade de surtos de doenças transmitidas por mosquitos. Entre as enfermidades monitoradas estão a dengue, zika, chikungunya, malária, febre amarela e o vírus oropuche. A combinação de calor e umidade cria condições ideais para a disseminação dessas arboviroses, que já são consideradas um risco de nível muito alto para o continente americano.
Vulnerabilidade ao calor extremo e problemas respiratórios
Além das infecções, o estresse térmico surge como uma das maiores causas de mortalidade relacionadas ao clima. Grupos como gestantes, bebês, idosos e trabalhadores que exercem atividades ao ar livre são os mais expostos aos perigos das altas temperaturas. Paralelamente, a fumaça proveniente de incêndios florestais, especialmente em biomas como a Amazônia e o Pantanal, tem potencial para elevar significativamente o número de internações por complicações respiratórias e cardiovasculares.
Riscos sanitários e danos à infraestrutura de saúde
O relatório da Opas, divulgado em 7 de maio, classifica o Brasil com risco médio de uma crise de saúde pública até 2026, considerando as condições estruturais do país. O excesso de chuvas e inundações também amplia a ameaça de doenças transmitidas pela água, como a cólera e a leptospirose. Além disso, eventos extremos podem causar danos físicos a unidades hospitalares e interromper o funcionamento de serviços essenciais, restringindo o acesso da população à assistência médica no momento em que ela é mais necessária.
Desafios para a segurança alimentar e saúde mental
A instabilidade climática também impacta a segurança alimentar, com o risco de desnutrição decorrente da perda de safras causadas por secas ou inundações. O cenário de crise é agravado por possíveis surtos de sarampo em áreas onde populações vulneráveis são forçadas a se aglomerar. Por fim, a saúde mental da população é diretamente afetada por perdas materiais, deslocamentos forçados e pela falta de recursos básicos, criando um ciclo de vulnerabilidade que exige atenção constante das autoridades sanitárias.
Fonte: terra.com.br


































