O desabamento de um edifício em construção na Penha, zona leste de São Paulo, resultou na morte de seis pessoas na madrugada de sábado, 12. A estrutura colapsou sobre uma residência vizinha, mobilizando uma força-tarefa de resgate que se estendeu por quase 36 horas. Entre as vítimas fatais, estavam três mulheres — uma delas grávida —, dois homens e uma criança.
O incidente, ocorrido na Rua Tequici por volta das 2h, também deixou dois sobreviventes, uma menina de sete anos e um homem, que foram encaminhados ao Hospital Municipal do Tatuapé com ferimentos leves. Embora o colapso tenha ocorrido durante um período de chuvas, a Defesa Civil do Estado de São Paulo informou que não há elementos técnicos suficientes para vincular diretamente o evento às condições climáticas.
Investigações e prisões de responsáveis pela obra
O caso é conduzido pelo 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa. A Polícia Civil efetuou a prisão temporária de Ronaldo Vivacqua, apontado pelas autoridades como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, empresa responsável pela edificação. O suspeito foi detido na manhã de domingo, 13, e permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
As autoridades buscam agora localizar outros dois representantes da construtora que possuem mandados de prisão temporária expedidos: Cristiano Vivacqua, responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, sócia da empresa. Ambos são considerados foragidos. A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli justificou as medidas cautelares pelo risco de fuga e pela possível destruição de provas, além da ausência dos responsáveis para colaborar com a perícia técnica.
Histórico de irregularidades e fiscalização municipal
A situação administrativa do imóvel é alvo de apuração rigorosa. A Prefeitura de São Paulo informou que a construção teve início em 2019 sem a devida licença, sendo alvo de sucessivas autuações e multas, incluindo uma penalidade de R$ 119 mil. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município obteve uma liminar judicial para paralisar os trabalhos, que foi posteriormente contestada pela construtora.
Um novo alvará foi concedido em agosto de 2023, condicionado à demolição da estrutura anterior. Contudo, uma vistoria realizada em fevereiro de 2024, que atestava o cumprimento da demolição, está sob investigação da Controladoria-Geral do Município (CGM). A servidora responsável pelo laudo foi afastada de suas funções por 30 dias após indícios de que a demolição exigida não teria sido executada.
Posicionamento da construtora e assistência às vítimas
Em nota oficial, a New Home Construtora manifestou solidariedade às famílias atingidas e afirmou estar à disposição para prestar auxílio. A empresa defende que a edificação estava regularizada administrativamente e que a revogação de liminares anteriores permitia a continuidade das obras. A construtora sustenta que qualquer conclusão sobre as causas do colapso é prematura e sugere que intervenções em terrenos vizinhos, como escavações próximas às fundações, devem ser investigadas como possíveis fatores contribuintes.
O Governo de São Paulo confirmou que sete das vítimas eram de nacionalidade boliviana e uma de nacionalidade paraguaia. Os corpos serão trasladados para a Bolívia para os ritos de sepultamento. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas através de fontes oficiais como o portal da Secretaria da Segurança Pública.
Fonte: terra.com.br


































