O tênis é frequentemente descrito como o esporte mais solitário do mundo. Na linha de fundo de uma quadra, não existem substituições, passes laterais ou treinadores capazes de dividir o peso de uma decisão. O erro, o colapso e a derrota recaem exclusivamente sobre os ombros de quem empunha a raquete, em um cenário onde o silêncio das arquibancadas é uma exigência técnica.
Recentemente, o circuito profissional tem enfrentado uma onda de interrupções de carreira motivadas por esgotamento mental. A ausência de Beatriz Haddad Maia no SP Open trouxe o debate para o centro das atenções, evidenciando que mesmo os atletas de elite atingiram um limite crítico. A tenista brasileira, ao optar por uma pausa, destacou a dificuldade histórica de admitir a própria fragilidade em um ambiente de alta performance.
O peso do isolamento e a rotina de viagens
A rotina exaustiva de torneios, que alterna hotéis e cidades semanalmente, cria um ciclo de isolamento difícil de sustentar. A espanhola Paula Badosa, ex-número 2 do mundo, reforçou que, embora o treinamento físico seja rigoroso, o cuidado com a mente permanece negligenciado pela estrutura do esporte. Para a atleta, a falta de suporte emocional em um ambiente tão individual torna o processo de competição extremamente complexo.
A pressão precoce e a busca por suporte
A obsessão pela vitória é cultivada desde a infância, moldando o comportamento de gerações. A americana Claire Liu descreveu em seu blog pessoal o turbilhão emocional enfrentado desde os 5 anos de idade, admitindo que a pressão constante muitas vezes substitui a determinação pelo sofrimento. Para lidar com essa carga, a tenista precisou ampliar sua equipe de suporte, incluindo a contratação de terapeutas adicionais.
O psicólogo esportivo Eduardo Cillo observa que os atletas abrem mão de aspectos fundamentais da vida, como convívio familiar e rotinas equilibradas. Segundo o especialista, o desgaste não é apenas físico, mas um acúmulo de exigências que, eventualmente, deixa de fazer sentido para o competidor. Além disso, o tabu em torno do tema ainda é mais acentuado entre os homens, enquanto mulheres enfrentam jornadas duplas de cobrança.
Mudança de paradigma no esporte
A forma como o esporte lida com o sofrimento mental evoluiu, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Niege Dias, ex-número 31 do mundo, relembra que, em sua época, o burnout não era reconhecido, resultando em interrupções precoces de carreira sem explicações clínicas. Já Patrícia Medrado, ex-número 1 do Brasil, aponta que a visibilidade das redes sociais intensificou a pressão, expondo atletas a críticas constantes de haters que ignoram o lado humano da competição.
Hoje, novos talentos como Nauhany Silva, de 16 anos, tentam equilibrar a carreira com o suporte de equipes multidisciplinares. Contudo, a psicóloga Mariana Andreolli alerta que a blindagem total é impossível, visto que a superexposição e a exigência de maturidade adulta sobre jovens atletas criam um cenário de vulnerabilidade constante. A questão fundamental que permanece é se o ecossistema do tênis está disposto a priorizar a integridade emocional em vez da obsessão por resultados. Mais informações podem ser consultadas em fontes especializadas como a ATP Tour.
Fonte: uol.com.br

































