O peso da derrota e a crise de identidade no esporte
Perder uma Copa do Mundo não define o valor de uma nação, embora o impacto emocional e simbólico seja profundo. Desde o início da competição em 1930, apenas oito países conquistaram o título mundial, formando um grupo restrito que inclui Brasil, Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Uruguai. No entanto, o sucesso esportivo não é um atestado de superioridade moral ou social sobre as outras 203 federações filiadas à Fifa.
O cenário atual exige uma reflexão sobre o que realmente significa a derrota. Mais do que o placar, o que preocupa é a perda da vergonha, da dignidade e da personalidade dentro da gestão esportiva. Enquanto países como a Noruega, com menos de 6 milhões de habitantes, buscam inovar com lideranças como Lise Klaveness — a primeira mulher a comandar a federação norueguesa em 120 anos —, o futebol brasileiro parece estagnado em estruturas administrativas questionáveis.
Gestão e a necessidade de uma nova ética esportiva
A CBF enfrenta um momento de descrédito, marcada por gestões que muitos consideram inescrupulosas. A transição entre dirigentes que atuam como fantoches e aqueles que manipulam o sistema por interesses gananciosos transformou o torcedor em um mero espectador de uma festa que, muitas vezes, ignora os valores fundamentais do esporte. A saudade de épocas passadas, como a de 1982, não é apenas sobre resultados, mas sobre a identificação com figuras que representavam honra e integridade.
O futebol tornou-se um reflexo de disputas geopolíticas e interesses comerciais que vão muito além das chuteiras. A influência de figuras como Gianni Infantino e a constante sombra de escândalos globais mostram que a modalidade está inserida em um contexto onde o lucro das apostas e a política internacional frequentemente se sobrepõem ao jogo limpo. A desconfiança em relação ao uso do VAR e a seletividade em decisões arbitrais são apenas sintomas de um sistema que perdeu a transparência.
Caminhos para a reconstrução do futebol nacional
Para resgatar a essência do futebol brasileiro, é necessária uma mudança estrutural profunda. A proposta não envolve a criação de órgãos estatais de controle absoluto, mas sim a atuação do Estado como indutor de políticas públicas, tal como ocorre em modelos europeus. O foco deve ser a formação de cidadãos desde a base, priorizando a educação e a ética em vez do luxo e do poder concentrado.
O futebol, como era conhecido, enfrenta um processo de sepultamento simbólico. A reconstrução exige dirigentes comprometidos com o país e capazes de enfrentar a corrupção sistêmica que permeia a Fifa. Sem uma mudança de postura que devolva a dignidade ao torcedor e a seriedade à gestão, o esporte continuará refém de interesses que pouco contribuem para o desenvolvimento social e cultural do Brasil. Para mais análises sobre o cenário esportivo, acompanhe as reflexões em Juca Kfouri.
Fonte: uol.com.br


































