O Corinthians trabalha nos bastidores para viabilizar a permanência do atacante Memphis Depay, tratando a renovação contratual como uma estratégia fundamental para o equilíbrio das finanças. A diretoria alvinegra busca uma solução que contorne as limitações impostas pelas novas regras de fair play financeiro da CBF, que restringem o endividamento de curto prazo dos clubes em relação às suas receitas ordinárias.
Impacto das normas da CBF no planejamento alvinegro
O sistema de controle financeiro da CBF estabelece que o endividamento líquido de curto prazo não deve ultrapassar 45% da receita líquida ordinária. Atualmente, o Corinthians opera próximo a esse limite, o que torna qualquer obrigação financeira imediata um risco considerável. A execução da dívida com o jogador, caso não haja um acordo, elevaria o passivo exigível e pressionaria severamente esse índice de conformidade.
O departamento financeiro, sob orientação de André Lavieri, tem alertado o presidente Osmar Stabile sobre os riscos de não repactuar o débito. A leitura interna é de que o alongamento do prazo de pagamento, aliado a uma redução do montante total, seria a via mais segura para evitar sanções e manter a saúde contábil da instituição a longo prazo.
Negociação e redução de custos operacionais
O clube busca reduzir o pacote de renovação de R$ 110 milhões para cerca de R$ 85 milhões. Este valor é visto como um ponto de equilíbrio, aproximando-se dos R$ 77 milhões que o clube admite dever ao atleta, considerando juros e correções. A expectativa é que o estafe do jogador apresente uma nova proposta que contemple essa redução, excluindo verbas de marketing e ajuda de custo.
A permanência de Memphis não apenas manteria uma peça importante no elenco, mas também permitiria que a dívida fosse fixada em um patamar menor, estimada em R$ 42 milhões após a retirada de juros e multas. Segundo informações apuradas pelo UOL, essa manobra financeira é considerada vital, dado que o clube enfrenta dificuldades de fluxo de caixa, incluindo atrasos em salários CLT e a existência de transfer bans.
Desafios administrativos e o futuro da gestão
A decisão final sobre o contrato passa pelo crivo do Conselho de Orientação (Cori), uma vez que o presidente Osmar Stabile expressou preocupação em deixar obrigações financeiras pesadas para a próxima administração. Contudo, fontes internas argumentam que o passivo já existe e que, com ou sem a renovação, o clube precisará negociar novos prazos, dado que não possui liquidez para quitar o montante à vista.
O cenário é agravado pela antecipação de receitas e pela dificuldade do clube em acessar novas linhas de crédito no mercado. Assim, a renovação surge como uma alternativa de gestão de crise, permitindo que o Corinthians distribua o pagamento da dívida por um período mais extenso, mitigando o impacto imediato no balanço financeiro e garantindo a continuidade do atleta no projeto esportivo.
Fonte: uol.com.br


































