A rotina de treinos no Ninho do Urubu revelou uma faceta inusitada da relação entre o técnico Leonardo Jardim e o meio-campista Lucas Paquetá. Durante uma conversa descontraída sobre culinária, especificamente sobre o ponto ideal de uma carne em um churrasco, ambos surpreenderam o elenco ao trocar o português pelo francês. O episódio ilustra a estratégia do treinador em estabelecer laços pessoais com seus atletas, mesmo diante de uma hierarquia técnica rigorosa.
A fluência no idioma não é fruto do acaso, mas sim da trajetória profissional de ambos no futebol europeu. Lucas Paquetá construiu parte de sua carreira defendendo as cores do Lyon, enquanto Leonardo Jardim consolidou seu nome no cenário internacional ao comandar o Monaco, onde inclusive conquistou o título da liga nacional. Essa bagagem compartilhada funciona como uma ponte cultural que facilita a comunicação e o entrosamento fora das quatro linhas.
Estratégia de gestão e proximidade no elenco
Embora mantenha uma postura exigente e não hesite em cobrar o elenco quando necessário, Jardim utiliza o bom humor e a descontração como ferramentas de gestão. A conexão linguística com Paquetá serve para aliviar a pressão do dia a dia, especialmente em um período de alta performance do Flamengo, que atualmente ocupa a liderança do Brasileirão e segue firme nas semifinais da Libertadores.
A liberdade na relação entre o comandante e o jogador também se manifesta em diálogos sobre o papel tático e o valor de mercado do atleta. Em momentos de descontração, o treinador já destacou a versatilidade de Paquetá, que foi contratado em uma operação que custou R$ 315 milhões aos cofres do clube, considerando direitos econômicos, luvas e intermediações.
Versatilidade como pilar de valorização
O reconhecimento da importância de Paquetá vai além do campo. O técnico chegou a brincar com o jogador sobre o seu custo elevado, atribuindo o valor de 42 milhões à sua capacidade de atuar em múltiplas posições. Segundo o próprio meia, Jardim pontuou que, caso ele fosse um jogador de função única, seu valor de mercado seria significativamente menor, girando em torno de 20 milhões.
Desde o seu retorno à Gávea, Paquetá soma 35 partidas e 11 gols marcados. Entre os tentos anotados, destaca-se o gol decisivo no empate contra o Cruzeiro, válido pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. Apesar do desempenho consistente, o jogador busca retomar seu espaço na seleção brasileira, após ter sido lembrado por Carlo Ancelotti para o ciclo da Copa do Mundo 2026, embora tenha ficado fora da última convocação para os amistosos contra Austrália e Índia.
Fonte: uol.com.br


































