O ex-tenista italiano Adriano Panatta, campeão de Roland Garros em 1976, expressou publicamente seu descontentamento com o atual estado do circuito profissional de tênis. Aos 76 anos, o ex-top 4 mundial descreveu o esporte como entediante, argumentando que a previsibilidade tomou conta das partidas, com uma padronização excessiva de estilos entre os atletas contemporâneos.
A predominância da força sobre a estratégia
Para o veterano, a evolução técnica do esporte acabou por sacrificar a criatividade em prol da potência bruta. Panatta observa que, mesmo em torneios de menor expressão, os jogadores adotam uma abordagem mecânica, priorizando disparos de alta velocidade em detrimento do raciocínio tático necessário para a construção de pontos inteligentes.
O italiano enfatizou que, após observar apenas dois games, consegue antecipar o desfecho e a tática de quase todos os confrontos atuais. Essa falta de variação, segundo ele, torna a experiência de acompanhar o circuito atual pouco estimulante para quem viveu uma era de maior diversidade técnica.
Carlos Alcaraz como exceção no circuito
Em meio às críticas severas ao cenário atual, Carlos Alcaraz surge como a figura que mantém o interesse de Panatta vivo pelo esporte. O espanhol é apontado pelo ex-jogador como o único atleta capaz de oferecer soluções táticas variadas e surpreendentes dentro de quadra, destacando-se em um mar de homogeneidade.
A comparação feita por Panatta eleva o status do jovem tenista ao colocar sua capacidade de improvisação no mesmo patamar de Roger Federer. Para o italiano, o estilo de jogo de Alcaraz resgata uma essência que parece ter ficado no passado, quando o ritmo das trocas de bola permitia maior elaboração estratégica.
Reflexões sobre a evolução do esporte
Ao analisar a trajetória do tênis, Panatta reconhece que o jogo mudou drasticamente, mas não demonstra nostalgia pela rotina dos atletas modernos. O campeão da Copa Davis de 1976 ressalta que a vida dos profissionais de hoje, cercada por tecnologias e exigências constantes, é algo que ele não gostaria de experimentar.
A visão de Panatta, compartilhada em entrevista ao Corriere della Sera, reflete o pensamento de uma geração que valoriza a técnica e a imprevisibilidade. Enquanto o tênis segue sua evolução física, a voz de lendas como o italiano serve como um lembrete sobre a importância da arte e da criatividade dentro das quadras.
Fonte: tenisbrasil.uol.com.br

































