As contas do governo central, que englobam o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, apresentaram um superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho. O dado, divulgado pelo Tesouro Nacional, representa uma mudança significativa frente ao desempenho negativo de R$ 48,178 bilhões registrado em junho deste ano.
Este resultado é o melhor desempenho para o mês de julho desde 2022, quando o saldo positivo atingiu R$ 22,614 bilhões, considerando a correção pela inflação. O montante também supera o cenário observado em julho de 2025, período em que as contas públicas registraram um déficit de R$ 59,07 bilhões.
Dinâmica de receitas e redução de despesas
O equilíbrio fiscal observado no mês foi impulsionado por uma combinação de aumento na arrecadação e contenção de gastos. As despesas totais do governo central recuaram 20,7% em julho, em comparação ao mesmo mês de 2025, já descontada a inflação do período. Paralelamente, as receitas totais apresentaram um crescimento real de 8,3% na mesma base comparativa.
A arrecadação federal, composta por impostos e contribuições, somou R$ 289,346 bilhões no mês. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, o desempenho positivo foi sustentado por surpresas favoráveis na arrecadação do IOF, na exploração de recursos naturais e no Imposto de Renda.
Impacto do calendário de pagamentos e metas fiscais
O secretário Daniel Leal explicou que o resultado de julho reflete uma normalização no calendário de pagamentos de precatórios, as dívidas judiciais da União, e de emendas parlamentares. O gestor destacou que o ano apresentava números mais pressionados devido à sazonalidade e à execução acelerada de despesas discricionárias nos meses anteriores.
Apesar do alívio mensal, o acumulado do ano até julho de 2026 aponta um déficit primário de R$ 81,305 bilhões. No mesmo período de 2025, o resultado negativo era de R$ 70,347 bilhões. A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê um superávit primário de 0,25% do PIB, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.
Perspectivas para o encerramento do exercício
No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit primário do governo central soma R$ 71,6 bilhões, o que equivale a 0,55% do Produto Interno Bruto. Atualmente, as despesas obrigatórias representam 17,32% do PIB, enquanto as discricionárias ocupam 1,88%.
A expectativa da equipe econômica é de que a despesa total siga em direção a uma normalização. A projeção do Tesouro é que o patamar de gastos, que hoje se encontra em 19,2%, recue ligeiramente até o final do ano, consolidando o esforço de ajuste fiscal em curso.
Fonte: terra.com.br




























