O Vasco da Gama permanece sem autorização judicial para contrair um novo empréstimo de até R$ 150 milhões. A decisão, proferida pelo juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 4ª Vara Empresarial do Rio, impõe uma barreira técnica à operação financeira solicitada pelo clube. O magistrado determinou que a liberação de qualquer crédito depende de um parecer conjunto detalhado, a ser apresentado até o dia 2 de setembro, envolvendo a Administração Judicial, o Watchdog e o Gatekeeper.
Exigência de transparência e comparação de investimentos
Além de barrar o aporte imediato, o juiz exigiu esclarecimentos sobre a política de contratações do clube. A determinação obriga a diretoria a apresentar uma justificativa detalhada sobre os gastos com jogadores, comparando os valores despendidos na atual temporada com os números de 2025 e com o orçamento de outros clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. O objetivo é entender o ritmo de endividamento do clube em um cenário de recuperação judicial.
Divergências na venda da SAF e riscos financeiros
O ponto central do impasse reside na venda da UPI Equity, o pacote de ações que define o controle da SAF vascaína. O plano de recuperação homologado em dezembro de 2025 prevê que a alienação do ativo sirva para quitar dívidas estruturais. Contudo, a proposta vinculante da Almirante Participações e Empreendimentos S.A. sugere que o valor de R$ 500 milhões seja destinado exclusivamente ao departamento de futebol, o que gera resistência no Judiciário.
O magistrado aponta riscos significativos na operação, destacando a ausência de uma avaliação independente do valor das ações. Existe ainda o receio de que o grupo comprador, que já detém créditos vultosos contra o clube, possa influenciar o preço do ativo em um eventual leilão. A disputa jurídica em curso na arbitragem sobre a propriedade das ações da SAF e possíveis conflitos de interesse, devido à relação familiar entre investidores e dirigentes de outros clubes, também foram citados como obstáculos a serem superados.
Abertura para novos interessados e cautela jurídica
Para mitigar riscos e fomentar a concorrência, o juiz determinou a publicação de um edital convocando outros eventuais interessados na aquisição do controle da SAF a se manifestarem nos autos. A medida visa garantir que o processo de venda ocorra com maior transparência e competitividade. Até que o parecer técnico seja entregue e o Ministério Público se pronuncie, os recursos do empréstimo DIP (Debtor-in-Possession) permanecem bloqueados.
O clube vive um momento de pressão financeira, com projeções de prejuízo que superam R$ 300 milhões até o final de 2026. A situação é acompanhada de perto por órgãos de controle, que buscam assegurar que o patrimônio do clube não seja comprometido por operações que não atendam aos requisitos de sustentabilidade econômica definidos no plano de recuperação. Mais informações podem ser consultadas no portal UOL.
Fonte: uol.com.br


































