O São Paulo enfrentou um cenário familiar e desfavorável ao ser derrotado de virada por 2 a 1 pelo Grêmio, em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto, realizado na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS), no último sábado, evidenciou uma repetição de falhas que têm marcado a trajetória da equipe na competição, gerando crescente preocupação e intensificando a pressão sobre o elenco e a comissão técnica.
A partida seguiu um roteiro que se tornou recorrente para o Tricolor: construir uma vantagem no primeiro tempo, mas não conseguir sustentá-la na etapa final, permitindo a virada do adversário. O resultado é ainda mais notável considerando que o São Paulo teve um período estendido de preparação, com quase duas semanas de atividades, enquanto o time gaúcho estava envolvido em uma sequência de jogos.
Preparação estendida não evita erros recorrentes
Apesar de ter tido nove dias de treinos e ajustes, sem compromissos pela Copa do Brasil ou pelos playoffs da Copa Sul-Americana, o São Paulo demonstrou pouca evolução em campo. A expectativa era de que o tempo de trabalho permitisse corrigir as deficiências observadas em partidas anteriores, como o empate contra o Athletico-PR, onde a equipe também cedeu um resultado positivo.
Para o duelo, o técnico Dorival Júnior precisou lidar com a ausência de um jogador importante, que foi preservado devido a dores. A escalação manteve a base do time que empatou com o Flamengo, com a entrada de um novo atleta na vaga do lesionado, invertendo as pontas. Quatro novos reforços iniciaram no banco de reservas, aguardando a oportunidade de entrar em campo.
Desenvolvimento do jogo: do equilíbrio à vantagem tricolor
O início da partida foi marcado por um período de adaptação de ambas as equipes, que buscavam encontrar seu ritmo. O São Paulo adotou uma estratégia de pressão na saída de bola do Grêmio, conseguindo recuperar algumas posses no meio-campo, mas sem convertê-las em oportunidades claras. Defensivamente, a equipe paulista mostrou-se um tanto desatenta, concedendo espaços para o avanço adversário, especialmente do meio para frente. Os primeiros minutos foram equilibrados, com a posse de bola bem dividida.
Aos 13 minutos, o São Paulo criou sua primeira grande chance, resultado de uma boa troca de passes após uma roubada de bola. Em transições rápidas, o Tricolor demonstrou capacidade de agredir o Grêmio em contra-ataques. No entanto, o panorama geral da partida pouco mudou, com o time gaúcho mantendo maior posse e avançando suas linhas, o que levou o São Paulo a recuar e se sentir menos confortável.
Ao longo do primeiro tempo, o São Paulo apresentou oscilações, enfrentando dificuldades na defesa, principalmente no meio-campo, onde a passividade na marcação abriu brechas para os meias e atacantes rivais. Contudo, a equipe também conseguiu ameaçar o Grêmio ao controlar a posse de bola, roubando-a em situações perigosas e explorando contra-ataques. A falta de organização em todos os setores, especialmente no meio-campo, com volantes e meias pouco participativos, foi um ponto de atenção.
A reta final da primeira etapa foi intensa. O Grêmio esteve perto de abrir o placar após uma falha defensiva, mas uma intervenção crucial do goleiro evitou o gol. O empate parecia o resultado mais provável para o intervalo, mas o São Paulo capitalizou em sua melhor característica do período: a recuperação de bola no meio-campo e a forte presença ofensiva pelo lado esquerdo. Em uma trama de aproximação bem executada, um jogador recuperou a bola, outro tocou para o atacante, que cruzou rasteiro para o companheiro completar para o gol. Assim, apesar de não ter jogado de forma brilhante, o Tricolor paulista foi para o vestiário com a vantagem.
Colapso defensivo no segundo tempo sela a virada
O São Paulo retornou para o segundo tempo sem alterações na formação, mas o cenário mudou drasticamente nos primeiros minutos. A defesa tricolor sofreu um verdadeiro apagão na bola aérea, permitindo que os jogadores do Grêmio executassem uma sequência de cabeceios que culminou com um gol de empate, com um atleta adversário finalizando sozinho na pequena área.
A passividade na marcação, um problema já observado no primeiro tempo, persistiu na etapa final. Apesar do gol sofrido, a equipe não se desesperou imediatamente, conseguindo reequilibrar a partida. No entanto, o volume ofensivo foi baixo, com apenas uma oportunidade clara desperdiçada por um dos atacantes. A qualidade técnica do jogo, de maneira geral, foi abaixo do esperado, com muitos erros de fundamentos básicos por parte de ambas as equipes.
Mudanças táticas e a busca por reação
As primeiras substituições do São Paulo ocorreram apenas aos 25 minutos da segunda etapa, com a entrada de dois novos jogadores, um para o meio-campo e outro para o ataque. Com as alterações, o São Paulo se reorganizou com dois atacantes, e um dos novos atletas passou a atuar por dentro, diferentemente do jogador que saiu, que atacava pelas pontas. As mudanças também permitiram que outro jogador atuasse de forma mais aberta, buscando aumentar a presença ofensiva e sinalizando a intenção do técnico de buscar a vitória.
Apesar dos ajustes, a equipe não conseguiu reverter o placar, consolidando mais uma derrota de virada que acende o alerta sobre a consistência do time no Campeonato Brasileiro. A repetição de erros e a incapacidade de manter a vantagem em jogos cruciais colocam o São Paulo em uma posição delicada, exigindo uma análise profunda e medidas eficazes para evitar que o “filme repetido” se torne uma constante.
Fonte: gazetaesportiva.com

































