Aos 24 anos, a tenista turca Zeynep Sonmez alcança a melhor fase de sua trajetória profissional, consolidando-se no top 50 da WTA Tour. Contudo, sua ascensão à elite do tênis mundial foi marcada por obstáculos singulares, especialmente por ter se desenvolvido em um país, a Turquia, que carece de uma cultura tenística profundamente enraizada.
Em uma entrevista concedida à revista turca Bee Haber, Sonmez detalhou como a ausência de uma tradição consolidada na modalidade exigiu que ela construísse grande parte de seu conhecimento e habilidades na prática, sem o suporte e a estrutura frequentemente encontrados em nações com maior histórico no esporte. Sua jornada, portanto, difere significativamente da de muitas de suas colegas de circuito.
A construção de uma carreira em meio à ausência de tradição
A tenista enfatiza que sua realidade não serve como justificativa para dificuldades, mas sim como um fator que moldou um processo de desenvolvimento distinto. Enquanto muitas atletas aprendem aspectos cruciais do esporte desde cedo, por meio de uma cultura tenística difundida, Sonmez precisou adquirir quase todo o seu conhecimento por meio da experiência direta em quadra.
Essa diferença se estende à transmissão de conhecimento entre gerações. Em países com forte tradição no tênis, atletas mais jovens se beneficiam da experiência de jogadores anteriores. No cenário turco, essa troca ainda é limitada, fazendo com que Sonmez enfrente situações inéditas com maior frequência do que suas adversárias que cresceram em potências da modalidade.
As exigências mentais e físicas da elite do tênis
Alcançar o top 50 já é um feito notável, mas a permanência entre as melhores do mundo impõe uma rotina ainda mais rigorosa. Além da preparação técnica e física intensas, o calendário do circuito profissional exige que as tenistas passem a maior parte do ano em viagens constantes, adaptando-se a diferentes superfícies, fusos horários e culturas, com pouco tempo para descanso ou convívio familiar.
Para Zeynep Sonmez, a gestão da distância de casa foi um dos aspectos mais desafiadores desde que começou a competir regularmente nos principais torneios. Ela ressalta a necessidade de uma força mental excepcional para suportar a rotina de viagens quase semanais e a inevitável separação da família e entes queridos.
O sacrifício e a rotina de uma atleta profissional
A tenista turca revelou que, especialmente no início de sua carreira, as derrotas em partidas frequentemente despertavam o desejo de interromper a sequência de torneios e retornar para casa. Essa ânsia por proximidade familiar sempre representou um peso emocional significativo em sua trajetória.
Com o amadurecimento profissional, Sonmez compreendeu que o circuito raramente permite pausas prolongadas. Uma eliminação em um torneio muitas vezes significa o início imediato da preparação para o próximo evento, que pode ocorrer em outro continente. Para ilustrar a intensidade dessa rotina, ela compartilhou que, no ano passado, passou apenas 50 dias em seu país natal, a Turquia.
Zeynep Sonmez e o legado para o tênis turco
Aos 24 anos, Zeynep Sonmez é a principal referência do tênis feminino na Turquia. Natural de Istambul, a jogadora destra de 1,70 m ocupa a 48ª posição no ranking de simples, o melhor de sua carreira. Ela já conquistou um título na elite do circuito, o WTA 250 de Mérida, em 2024, disputado em piso duro.
Seus melhores resultados em Grand Slams incluem a terceira rodada de Wimbledon em 2025 e do Australian Open em 2026. Sonmez também fez história ao se tornar a segunda turca a alcançar o top 100 da WTA, seguindo os passos de Cagla Buyukakcay, que chegou ao 60º lugar em 2016 e conquistou o único título de WTA da carreira em Istambul. Ao longo de sua carreira, Sonmez já acumulou mais de US$ 2,1 milhões em premiações no circuito profissional.
Fonte: tenisbrasil.uol.com.br


































