O mercado de construção civil no Brasil enfrentou um recuo significativo na comercialização de insumos básicos durante o mês de setembro. Segundo dados divulgados pelo Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), a venda de cimento atingiu 5,7 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho do mês impactou diretamente o balanço do terceiro trimestre, que encerrou com uma retração de 0,4% em relação ao ano anterior, totalizando 18,1 milhões de toneladas comercializadas. Ajustando os dados por dias úteis, o setor observou uma redução de 1,6% frente a setembro de 2025 e de 4,3% em comparação com agosto deste ano.
Impactos climáticos e desempenho regional
A entidade responsável pelo levantamento apontou que fatores climáticos foram determinantes para o resultado negativo. As chuvas constantes que atingiram a região Sudeste, maior mercado consumidor do país, prejudicaram o ritmo das obras, resultando em uma queda de 13,5% nas vendas locais em setembro, totalizando 2,4 milhões de toneladas.
No acumulado do ano, o Sudeste apresenta um consumo 2,4% menor, consolidando-se como a única região brasileira com resultado negativo em relação ao mesmo período de 2025. Outras regiões também sentiram o impacto, com o Sul registrando baixa de 6,8% (924 mil toneladas) e o Centro-Oeste com recuo de 2,7% (690 mil toneladas).
Crescimento em mercados específicos
Apesar do cenário de retração em grande parte do território nacional, o Nordeste apresentou um desempenho positivo com expansão de 5,7% no consumo de cimento em setembro, atingindo 1,4 milhão de toneladas. O Snic atribui esse movimento ao foco do programa Minha Casa Minha Vida na região, que acumula alta de 7,5% no ano.
A região Norte também se destacou positivamente, alcançando o maior crescimento percentual do país no mês passado. Com uma expansão de 14% em relação ao ano anterior, o volume comercializado na região foi de 325 mil toneladas.
Perspectivas para o setor cimenteiro
A continuidade do ritmo de vendas nos próximos meses permanece como uma incógnita para os fabricantes. O Snic destacou que o desempenho do setor dependerá diretamente da manutenção dos projetos habitacionais e do avanço de obras de infraestrutura em todo o país.
O cenário macroeconômico, marcado por condições monetárias ainda restritivas, impõe cautela aos agentes do mercado. A expectativa é que a demanda por cimento acompanhe a estabilidade dos investimentos públicos e privados previstos para o encerramento do ano.
Fonte: terra.com.br

































