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Exclusividade digital rompe tradição da Globo em transmissão de semifinal da Copa

Exclusividade digital rompe tradição da Globo em transmissão de semifinal da Copa

Pela primeira vez em 56 anos, desde que iniciou suas transmissões de Copas do Mundo em 1970, a TV Globo não exibirá uma das partidas da fase semifinal do torneio. A mudança no cenário da cobertura esportiva, impulsionada pela exclusividade de direitos de transmissão digital, marca um ponto de inflexão na maneira como o público brasileiro acompanha os grandes eventos do futebol mundial. A decisão de uma plataforma digital de deter os direitos de um dos confrontos mais aguardados da competição redefine a dinâmica de acesso aos jogos.

A situação atual reflete a crescente fragmentação dos direitos de transmissão, onde plataformas digitais emergem como players significativos. Enquanto a partida entre Inglaterra e Argentina será televisionada pela emissora tradicional, o confronto entre França e Espanha terá sua exibição exclusiva por um canal associado a um influenciador, evidenciando a nova era na distribuição de conteúdo esportivo.

A inédita divisão na cobertura das semifinais

A exclusividade de transmissão de um dos jogos da semifinal por uma plataforma digital representa um marco na história da cobertura da Copa do Mundo no Brasil. A plataforma, detentora dos direitos de todos os jogos do torneio, optou por exibir com exclusividade o embate entre França e Espanha. Consequentemente, a TV Globo, que historicamente transmitiu as principais fases do Mundial, terá acesso apenas à partida entre Inglaterra e Argentina, que também será veiculada pelo canal digital.

Esta é apenas a segunda vez que a emissora não transmite as duas partidas da semifinal desde sua estreia na cobertura do Mundial. A única ocasião anterior ocorreu na edição de 1970, ano em que a emissora realizou sua primeira transmissão da Copa, e os jogos foram disputados simultaneamente.

A história da transmissão da Copa na televisão brasileira

A trajetória da emissora na cobertura da Copa do Mundo é longa e repleta de momentos históricos. Desde 1970, quando transmitiu a conquista do tricampeonato pela seleção brasileira, a emissora tem sido a principal janela para o público acompanhar o torneio. Naquele ano, a não transmissão de ambos os jogos da semifinal ocorreu devido ao início simultâneo das partidas Uruguai x Brasil e Itália x Alemanha, em 17 de junho de 1970, às 16h, com a emissora priorizando a classificação da seleção nacional.

Após 1970, a emissora transmitiu as duas semifinais sempre que essa fase esteve presente no formato do Mundial. Nas edições de 1974 e 1978, a Copa não contava com semifinais, adotando um formato de segunda fase com grupos que levavam os vencedores diretamente à final. Em 1982, o torneio retomou o formato de semifinal, e, embora os confrontos tenham ocorrido no mesmo dia, foram em horários distintos, permitindo a cobertura completa.

Os desafios do formato e os precedentes históricos

A partir de 1990, as semifinais passaram a ser realizadas em dias diferentes, facilitando a transmissão de ambos os jogos. Uma exceção notável ocorreu em 1994, nos Estados Unidos, onde o fuso horário desempenhou um papel crucial. As duas semifinais estavam agendadas para 13 de julho em horários muito próximos: Bulgária x Itália às 16h (horário local) e Suécia x Brasil às 16h30. No entanto, devido aos diferentes fusos horários (Nova Jersey com -1h em relação a Brasília e Los Angeles com -4h), a partida da seleção brasileira começou às 12h30 (de Brasília), enquanto o outro jogo iniciou às 15h, permitindo a cobertura.

Historicamente, a emissora teve direitos exclusivos de transmissão na TV aberta em edições específicas, como 1982, 2002, 2006, 2018 e 2022. Em outros anos, emissoras concorrentes como SBT, Record, Band, TV Cultura e TV Tupi compartilharam a cobertura, mostrando uma paisagem de direitos que sempre se adaptou às condições do mercado.

A nova dinâmica dos direitos e a ascensão digital

O cenário da transmissão de grandes eventos esportivos começou a mudar significativamente a partir da Copa do Qatar. Naquele Mundial, a emissora tradicional abriu mão dos direitos de transmissão nas plataformas digitais, o que foi prontamente aproveitado por um novo player, que passou a transmitir a Copa no YouTube com grande sucesso. Este movimento marcou o início de uma nova era para a cobertura esportiva digital.

Após o êxito em 2022, a plataforma digital ampliou seu repertório para o ano corrente, tornando-se a única a transmitir todos os 104 jogos do Mundial. A emissora de TV aberta, por sua vez, garantiu os direitos para 55 partidas e agora só pode escolher quais jogos irá transmitir após a plataforma digital fazer sua opção. Essa nova regra de escolha resultou na exclusividade da partida França x Espanha para o canal digital, deixando a emissora tradicional com a transmissão de Inglaterra x Argentina na semifinal.

Fonte: uol.com.br

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