Os tornados, fenômenos meteorológicos de excepcional rapidez e alto poder destrutivo, representam uma ameaça crescente para diversas regiões, especialmente o Sul do Brasil. Esta área se destaca como a mais propensa no país a essas tempestades severas, conforme evidenciado por recentes ocorrências que causaram danos significativos.
A recorrência desses eventos levanta questões sobre os fatores geográficos e climáticos que tornam o Sul um palco frequente para a formação de tornados, além dos desafios enfrentados na detecção, registro e na implementação de medidas eficazes de proteção para a população.
A incidência alarmante de tornados no Sul do Brasil
A região Sul do Brasil tem sido o foco principal da atividade de tornados no país. De um total de 28 episódios registrados em 2024 em todo o Brasil, 23 ocorreram especificamente nesta região, segundo um levantamento da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul contabilizaram dez casos cada, enquanto Santa Catarina registrou três ocorrências. Em contraste, outras regiões do país tiveram um número significativamente menor, com três casos na Bahia, um em Alagoas e um no Pará.
Estudos anteriores já indicavam essa predominância, estimando que aproximadamente 70% dos tornados em solo brasileiro se manifestam no Sul. Entre 1975 e 2018, de 581 tornados estudados no país, 411 foram observados na região Sul. Mais recentemente, a Plataforma de Registros de Tempo Severo (PRETS) documentou 511 tornados no Brasil entre junho de 2018 e julho de 2026, confirmando o Sul como a área mais afetada também nesta contagem.
A complexa dinâmica atmosférica do Sul: um corredor de tempestades
A alta suscetibilidade do Sul do Brasil à formação de tornados é explicada por sua posição geográfica singular, que o estabelece como um verdadeiro corredor atmosférico. A região é o ponto de encontro de duas massas de ar distintas: ventos quentes e carregados de umidade, provenientes da Amazônia, e massas polares frias, originárias do Sul-Sudoeste do continente.
O choque entre essas correntes de ar cria um ambiente de grande instabilidade, propício à formação de tempestades severas com movimentos giratórios. Um exemplo notável é o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, que se originou de uma supercélula – uma tempestade severa caracterizada por uma variação significativa na velocidade dos ventos em diferentes altitudes, fenômeno conhecido como
Fonte: terra.com.br


































