A Fórmula 1 enfrenta um novo paradigma técnico desde o início de 2026, com o surgimento de estratégias complexas de gerenciamento de potência. Entre elas, o superclipping destaca-se como um recurso fundamental para pilotos que buscam otimizar o desempenho em traçados de alta velocidade, como o icônico circuito de Spa-Francorchamps. Esta tática permite que o carro recupere energia para a bateria mesmo durante fases de aceleração máxima, equilibrando a entrega de potência com a eficiência do sistema híbrido.
Mecânica e impacto do superclipping na performance
Em termos técnicos, o superclipping funciona como um desvio estratégico de energia. Durante o processo, parte da potência gerada pelo motor não é enviada diretamente para as rodas traseiras, sendo redirecionada para o armazenamento via MGU-K. Embora essa manobra garanta uma reserva de energia vital para momentos críticos da volta, ela impõe um custo direto: a redução da velocidade máxima do veículo nas retas.
A telemetria de equipes como a McLaren demonstrou que o uso dessa estratégia varia conforme o limite de quilowatts permitido. Em testes, a equipe explorou a capacidade de recuperação de até 350 kW, contrastando com o limite padrão de 250 kW. Os dados revelam que, em curvas de alta, o uso do superclipping pode resultar em uma perda de velocidade de aproximadamente 20 km/h, um efeito que pilotos como Fernando Alonso apontaram como um desafio para a pilotagem natural dos novos carros.
O papel da FIA e o equilíbrio competitivo
A FIA monitora de perto a adoção dessa prática, tratando-a como uma das alavancas disponíveis para ajustar o espetáculo caso as corridas iniciais apresentem problemas de gestão energética. O diretor de monopostos, Nikolas Tombazis, indicou que o órgão regulador está aberto a ajustes, que podem incluir a alteração dos limites de recuperação de energia ou a modificação da participação elétrica na configuração de corrida para mitigar o déficit energético dos competidores.
A implementação dessas mudanças, contudo, esbarra em interesses estratégicos. Fabricantes e equipes que possuem maior eficiência energética atual podem resistir a alterações que neutralizem sua vantagem competitiva. Como ressaltou Andrea Stella, chefe da McLaren, a discussão sobre elevar o limite de recuperação para 350 kW é um tema constante nas reuniões técnicas, visando evitar que os pilotos precisem recorrer a técnicas de “lift and coast” excessivas e artificiais.
Perspectivas para o futuro das corridas
O impacto do superclipping não é uniforme em todos os circuitos do calendário. Pistas com zonas de frenagem pesadas facilitam a recuperação de energia de forma convencional, enquanto traçados com curvas rápidas e poucas frenagens, como Jeddah, tornam o uso do superclipping quase inevitável. A FIA mantém uma postura cautelosa, preferindo analisar o desempenho real em pista antes de implementar qualquer alteração regulatória definitiva.
O processo de governança da categoria exige que qualquer proposta passe por discussões detalhadas entre equipes e fabricantes. Embora a FIA não planeje mudanças precipitadas, o cenário permanece dinâmico. A prioridade, segundo o órgão, é garantir que o esporte mantenha sua integridade competitiva, equilibrando a inovação tecnológica com a necessidade de corridas disputadas, conforme detalhado em FIA.com.
Fonte: motorsport.uol.com.br


































