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Shein recebe sinal verde da China para realizar oferta pública de ações em Hong Kong

Shein recebe sinal verde da China para realizar oferta pública de ações em Hong Kong

A varejista global de moda Shein obteve, nesta sexta-feira, a autorização oficial do governo chinês para prosseguir com sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de valores de Hong Kong. A decisão, comunicada pelo órgão que regula o mercado de capitais na China (CSRC), representa um marco estratégico para a companhia, que buscava viabilizar sua listagem após enfrentar obstáculos significativos em tentativas anteriores nos mercados de Nova York e Londres.

Caminho aberto para a listagem em Hong Kong

A aprovação de Pequim encerra um período de um ano de espera, durante o qual a empresa precisou submeter seus planos aos mais altos escalões do Partido Comunista Chinês. Considerada uma organização politicamente sensível, a varejista enfrentou escrutínio rigoroso devido a denúncias de práticas trabalhistas em sua cadeia de suprimentos e polêmicas envolvendo a conformidade de seus produtos em mercados europeus.

Com o aval em mãos, a Shein está agora autorizada a iniciar o processo de roadshow, realizando apresentações para potenciais investidores. O próximo passo fundamental será a audiência perante a bolsa de valores de Hong Kong, etapa obrigatória para qualquer empresa que deseja ingressar no mercado de capitais local.

Avaliação de mercado e expectativas financeiras

Embora tenha atingido uma avaliação de mercado de US$ 100 bilhões em 2022, o cenário econômico atual forçou uma revisão nas projeções. Após uma rodada de financiamento privado realizada em maio de 2023, que precificou a empresa em US$ 66 bilhões, analistas sugerem que a companhia pode buscar uma avaliação entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em seu IPO.

O movimento é visto como um fôlego necessário para a praça financeira de Hong Kong, que tem se consolidado como um hub global de listagens. A empresa conta com o apoio de grandes investidores, incluindo General Atlantic, HongShan Capital, Mubadala Investment, Brookfield e Claure Group, que acompanham de perto a transição da marca para o mercado público.

Desafios geopolíticos e operacionais

A trajetória da Shein, fundada em 2012 pela empresária Sky Xu, reflete a complexidade das relações comerciais entre a China e o Ocidente. A empresa, que embora tenha transferido sua sede para Cingapura em 2022, mantém sua base produtiva concentrada em fornecedores chineses, permanece sujeita às regulamentações de Pequim, que endureceu as regras para empresas que buscam capital internacional.

Além da pressão regulatória, a varejista enfrenta investigações formais da Comissão Europeia e multas aplicadas por autoridades francesas por questões relacionadas à proteção de dados e práticas comerciais. O modelo de negócio, focado na exportação direta de produtos de baixo custo, também é alvo de debates globais sobre sustentabilidade e a revisão de brechas alfandegárias em diversos países, conforme reportado pela Reuters.

Fonte: terra.com.br

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