O cenário político do Paraguai enfrenta momentos de extrema tensão após o Senado rejeitar um pedido de adiamento apresentado por Santiago Peña. A defesa do presidente havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para analisar cerca de 300 páginas do processo, alegando que o prazo inicial de menos de 12 horas feria as garantias do devido processo legal.
A decisão da casa legislativa ocorre em meio a uma das maiores crises institucionais da história recente do país, desencadeada pelo colapso do Ueno Bank. A quebra da instituição financeira resultou no congelamento de depósitos de aproximadamente três milhões de cidadãos, gerando protestos generalizados em Assunção e pressionando o governo rumo a um desfecho drástico.
Crise financeira e o colapso do Ueno Bank
A crise veio à tona quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank devido a uma insuficiência grave de capital. Além de contas de clientes particulares, a medida atingiu recursos de órgãos estatais, paralisando transações e afetando quase metade da população paraguaia.
Em resposta à comoção pública, o governo afastou a direção da autoridade monetária e promulgou uma legislação estabelecendo um prazo de cinco dias úteis para a devolução da maior parte dos depósitos. Para mais detalhes sobre a cobertura internacional dos desdobramentos políticos, consulte a Reuters.
R ruptura política e o avanço no Congresso
O desgaste de Santiago Peña se aprofundou rapidamente após a perda de apoio de setores decisivos de sua própria base aliada. Líderes do Partido Colorado e seu principal padrinho político, o ex-presidente Horacio Cartes, distanciaram-se do atual mandatário em meio ao escândalo.
A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment, enquanto o Congresso optou por suspender a análise da renúncia anunciada pelo presidente para priorizar o julgamento político. Senadores governistas indicaram que a intenção é concluir os trâmites com rapidez para tentar pacificar os ânimos no país.
Acusações de conflito de interesses e o futuro político
As acusações centram-se em supostos conflitos de interesse envolvendo a antiga relação de Santiago Peña com o sistema financeiro. Opositores sustentam que a holding da qual o presidente fazia parte antes de 2025 recebeu tratamento regulatório privilegiado e aplicação de recursos públicos e previdenciários.
Economista de formação, Peña assumiu o poder em 2023 como o mais jovem presidente da história do país, prometendo estabilidade econômica. Contudo, a perda de sustentação política e o isolamento legislativo colocam em risco o restante de seu mandato, que deveria se estender até 2028.
Fonte: terra.com.br

































