Após um hiato de sete anos, a renomada artista Regina Casé marca seu retorno aos palcos com o monólogo “Viva! Vida!”. A peça, que estreou em São Paulo, propõe uma jornada pela biografia do planeta Terra, desde sua formação primordial até a complexidade dos algoritmos que moldam as interações nas redes sociais. Este retorno não é apenas um espetáculo, mas também uma oportunidade para Casé revisitar sua trajetória multifacetada, navegando entre o reconhecimento como atriz e as controvérsias enfrentadas como apresentadora de televisão.
Em “Viva! Vida!”, a artista se entrega a uma performance que mescla improvisação, emoção e uma profunda conexão com a audiência. Sua abordagem desafia as convenções teatrais, permitindo a interação com o público, inclusive o uso de celulares para fotos, reforçando sua filosofia de quebrar barreiras e promover a comunhão, uma marca registrada de sua carreira.
“Viva! Vida!”: uma biografia da Terra com interação e poesia
O monólogo “Viva! Vida!” se destaca por sua proposta inovadora, apresentando uma narrativa que abrange a história do planeta Terra em suas mais diversas fases. O roteiro, assinado por Estevão Ciavatta, marido de Casé, e dirigido por Daniela Thomas, combina informações científicas com elementos de poesia, mitologia e cosmologias indígenas e africanas. A atriz assume múltiplos papéis no palco, transitando entre uma professora, uma astronauta, uma pajé indígena, uma iaô do Candomblé e uma cientista, dissolvendo as fronteiras entre personagem e plateia.
A inspiração para a peça surgiu das pesquisas de Ciavatta para um documentário sobre desertificação, revelando curiosidades sobre a história geológica e biológica da Terra. Casé transforma esses dados em uma experiência teatral rica e acessível, longe de ser uma mera aula de biologia, mas sim uma celebração da vida e da conexão humana com o ambiente.
Regina Casé e a quebra de barreiras no palco e na TV
A trajetória de Regina Casé é marcada pela constante busca em romper as barreiras entre o artista e o público. Desde sua formação no teatro anárquico do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, nos anos 1970, ela sempre instigou a participação da plateia. Essa filosofia se estendeu para sua carreira na televisão, em programas como Brasil Legal, Muvuca, Central da Periferia e Esquenta!.
No entanto, essa abordagem nem sempre foi recebida com unanimidade. O programa Esquenta!, por exemplo, foi alvo de críticas por dar visibilidade a pessoas, artistas e manifestações culturais historicamente marginalizadas. Casé defende que sua intenção era justamente furar a bolha da invisibilidade, o que naturalmente gerou uma onda de preconceito, mas que ela sempre lidou com a situação.
A dualidade da carreira: atriz celebrada, apresentadora criticada
Com mais de cinco décadas de carreira, Regina Casé reflete sobre as diferentes percepções de seu trabalho como atriz e apresentadora. Ela revela que nunca almejou ser apresentadora, mas encontrou nessa função um meio eficaz para dar voz a questões sociais urgentes. A televisão se tornou uma plataforma para promover reflexões de forma imediata, algo que a dramaturgia, em sua visão, levaria mais tempo para alcançar.
A artista observa uma clara distinção no reconhecimento público: “Como atriz, sou celebrada; como apresentadora, tenho haters”. Enquanto sua atuação é amplamente elogiada e premiada, sua faceta como apresentadora, especialmente ao abordar temas sociais e dar espaço a vozes periféricas, gerou mais questionamentos e críticas. Em “Viva! Vida!”, contudo, essas facetas se unem, criando uma experiência artística que transcende as categorias tradicionais.
Futuro nos palcos e na TV e a luta por representatividade
“Viva! Vida!” permanecerá em cartaz em São Paulo até 2 de agosto, com planos de turnê por outras capitais brasileiras, como Brasília e Belo Horizonte. Apesar da agenda intensa, Regina Casé já projeta novos desafios, incluindo contratos para a televisão e o desejo de contracenar com sua filha, Benedita Casé.
Benedita, que recentemente iniciou sua carreira como atriz, com trabalhos no cinema e no teatro, aborda em seu monólogo “Surda” a experiência da deficiência auditiva. Regina Casé destaca a importância de abrir mais espaços para pessoas com deficiência na mídia, assim como a evolução na representatividade de atores negros na dramaturgia. A artista reforça a necessidade contínua de quebrar “bolhas” e promover uma televisão e um teatro mais inclusivos e diversos. Para mais informações sobre a carreira de Regina Casé, visite o site da BBC News Brasil.
Fonte: terra.com.br


































