A gestão de Gianni Infantino na presidência da Fifa enfrenta um momento de instabilidade sem precedentes. O fracasso da proposta de abertura da entidade a investidores privados, que visava a criação da Fifa Forward Entreprise (FFE), gerou uma onda de distanciamento entre figuras centrais da organização e o dirigente ítalo-suíço.
O projeto, que previa a venda de 20% das ações da FFE para captar US$ 4,2 bilhões, foi alvo de críticas severas e rejeitado por três confederações. A pressão interna e externa forçou o recuo definitivo da proposta, mas deixou marcas profundas na governança da entidade máxima do futebol mundial.
Desgaste interno e críticas de lideranças
O distanciamento de nomes influentes na estrutura da Fifa evidencia o isolamento de Infantino. Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento do futebol mundial, manifestou publicamente que a decisão de retirar o projeto era incontestável, ressaltando que não teve participação na elaboração da proposta.
O secretário-geral Mattias Grafstrom também se posicionou de forma crítica, classificando o episódio como uma série de eventos “triste e repreensível”. A renúncia de Carlos Cordeiro, principal assessor do presidente, reforça o clima de descontentamento, com o executivo americano declarando oposição categórica ao plano de monetização.
Confronto jurídico com a Uefa
A crise ultrapassou as paredes da sede da entidade. A Uefa, principal confederação europeia, formalizou a intenção de iniciar uma ação judicial contra a Fifa. A organização solicitou a preservação de todos os documentos e registros eletrônicos relacionados à tentativa de criação da Fifa Forward Entreprise.
Além da disputa legal, a Concacaf exigiu uma revisão completa na liderança de Infantino. O clima de desconfiança também atinge a organização da Copa do Mundo de Clubes, cujo formato e viabilidade para futuras edições, como a de 2029, enfrentam impasses significativos com os clubes participantes.
Cenário eleitoral e governança
Apesar da pressão, Gianni Infantino permanece como o único candidato ao pleito de março de 2027. Para garantir um novo mandato de quatro anos, ele necessita do apoio de 106 das 211 federações-membro, um desafio que se tornou mais complexo após a retirada de suporte por parte das federações da Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia.
A necessidade de uma mudança estrutural na governança da entidade é apontada por dirigentes como o caminho para restaurar a integridade e a transparência. O futuro da gestão, conforme reportado pela AFP, segue em aberto enquanto a entidade tenta superar o desgaste provocado pela tentativa frustrada de atrair capital privado.
Fonte: gazetaesportiva.com


































