O Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) – Rede Brasil iniciou uma mobilização estratégica para ampliar a presença de profissionais indígenas no mercado de trabalho formal. O projeto, batizado de “Reflorestar o Corporativo”, tem como meta engajar 100 empresas brasileiras por meio de uma agenda de atividades gratuitas, que incluem formatos presenciais e online, com início previsto para este segundo semestre.
Estratégia de inclusão e metas de empregabilidade indígena
A iniciativa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18, uma diretriz voluntária adotada pelo Brasil para a Agenda 2030 da ONU. O foco central é promover a igualdade étnico-racial e combater a violência contra populações negras e indígenas. A execução técnica conta com a parceria da BND Digital, agência fundada por Naiá Tupinambá e Jennyffer Bransfor, que conduzirá as ações de sensibilização e compartilhamento de metodologias inclusivas para o setor corporativo.
Cronograma de atividades e engajamento empresarial
O programa será estruturado em duas fases distintas. A primeira etapa, agendada para agosto, ocorrerá em ambiente totalmente digital para disseminar conhecimentos sobre a inclusão desses profissionais. Em setembro, a iniciativa segue para uma ação presencial em Belém, no Pará, onde serão apresentados dados sobre o mercado de trabalho e orientações práticas para a atração, contratação e desenvolvimento de talentos indígenas, conforme detalhado por Verônica Vassalo, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Desafios estruturais e desigualdade no mercado de trabalho
A necessidade da ação é evidenciada por dados do Instituto Ethos de 2024, que indicam uma presença de profissionais indígenas nas maiores empresas do país entre 0,0% e 0,4%, com queda acentuada em cargos de liderança. O cenário é agravado pela informalidade, atingindo cerca de 50% das mulheres indígenas ocupadas, conforme dados da Pnad Contínua do IBGE referentes ao primeiro trimestre de 2024. A taxa de desemprego para este grupo específico chega a 12,5%, refletindo barreiras históricas e sociais persistentes.
Perspectivas futuras e expansão do projeto
Para participar, as empresas devem acompanhar o formulário de inscrição que será disponibilizado na área de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil no LinkedIn. Enquanto a fase online é aberta a todas as organizações, a etapa presencial priorizará empresas situadas no território amazônico e participantes da rede. Após este semestre de sensibilização, o projeto planeja uma segunda etapa para o próximo ano, focada em ações estruturadas para consolidar as políticas de inclusão nas companhias engajadas.
Fonte: terra.com.br

































