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A jornada extrema de um big rider brasileiro em Nazaré: ondas gigantes, superação e o próximo desafio

A jornada extrema de um big rider brasileiro em Nazaré: ondas gigantes, superação e o próximo desafio

Will Santana, uma das figuras proeminentes no cenário do surfe de ondas gigantes no Brasil, tem uma trajetória intrinsecamente ligada à famosa Praia do Norte, em Nazaré, Portugal. Contudo, o atleta ressalta que o prestígio e o reconhecimento não são meramente uma consequência de surfar as ondas monumentais do local. Sua jornada é marcada por uma combinação de determinação inabalável, riscos calculados e momentos de pura superação, que o consolidaram como um dos grandes nomes da modalidade.

A rotina de um big rider, como Santana, transcende a simples busca por adrenalina; ela envolve um compromisso extremo com o esporte, onde cada onda representa um desafio à própria vida. Desde o primeiro contato com o gigantismo do oceano até os momentos mais críticos de sua carreira, o surfista compartilha as experiências que moldaram sua percepção sobre o limite humano e a força da natureza, sempre com o olhar fixo nos próximos horizontes a serem desbravados.

A ascensão de um big rider em Nazaré

Apesar de Nazaré ser um divisor de águas em sua carreira, Will Santana faz questão de desmistificar a ideia de que o local, por si só, garante o sucesso. Ele observa que muitos surfistas dedicam anos à Praia do Norte sem alcançar o mesmo nível de destaque, enfatizando que a fama não é uma consequência automática de surfar suas ondas.

O próprio Santana atribui sua ascensão a uma abordagem de “tudo ou nada”, onde cada oportunidade era encarada com risco máximo. Sua trajetória foi marcada por uma sequência de grandes ondas e acidentes espetaculares que, ao serem noticiados, o mantiveram em evidência. Essa estratégia arriscada, mas calculada, foi fundamental para diferenciá-lo e consolidar seu nome no universo do surfe de ondas gigantes.

O batismo em Puerto Escondido e o reconhecimento das ondas gigantes

O primeiro contato de Will Santana com as ondas gigantes ocorreu em 2020, durante uma viagem a Puerto Escondido, no México. Essa experiência foi um ponto de virada decisivo em sua carreira. Ele estava com as pranchas quebradas e prestes a retornar ao Brasil, mas a previsão de um novo swell o fez mudar de planos, recebendo o apoio de Lucas Chumbo, que lhe emprestou uma prancha.

Em um mar desafiador, com ondas gigantes e fechadeiras que intimidavam a todos, Santana encontrou a onda que mudaria sua vida. Após um momento de introspecção e um pedido, ele virou a prancha e realizou um “air drop gigante”, completando a descida com sucesso. A cena, filmada e divulgada por várias pessoas, solidificou seu reconhecimento como big rider ao retornar ao Brasil.

A onda da vida e o limite da velocidade

Cinco anos após sua primeira experiência com ondas gigantes, Will Santana viveu o que considera o maior momento de sua carreira. Em janeiro de 2025, durante a passagem da Tempestade Hermínia por Portugal, o surfista brasileiro enfrentou um dos maiores mares dos últimos anos em Nazaré, surfando aquela que ele descreve como a maior onda de sua vida.

Mesmo sob chuva forte, vento intenso e condições extremas na Praia do Norte, Santana decidiu entrar na água. Ele descreve a experiência como algo “descomunal”, com ondas que superavam a marca de 30 ou 40 pés, aproximando-se dos 100 pés. A velocidade atingida na prancha foi inédita e assustadora, com vibrações intensas e a consciência de que uma queda ali poderia ser fatal, um testemunho da força bruta do oceano.

Trauma e milagre: o acidente que chocou o mundo

Poucas semanas após a sessão histórica, em fevereiro de 2025, Will Santana voltou a enfrentar momentos de grande tensão em Nazaré. Durante as gravações da competição Gigantes de Nazaré, o brasileiro sofreu um dos acidentes mais impressionantes da temporada ao ser atingido por uma onda gigante ao lado do piloto de resgate Daniel Rangel.

Após conseguir voltar à superfície, os dois ainda precisaram enfrentar uma segunda onda monumental antes que o resgate fosse concluído com sucesso por Lucas Chumbo e Lucas Fink. Santana descreve o incidente como um milagre, pois o jet ski passou muito perto de sua cabeça e ombro sem tocá-lo, permitindo que ele continuasse a surfar. A experiência ainda o emociona, gerando um profundo sentimento de gratidão por ter sobrevivido e poder seguir sua paixão. Acesse o UOL Esporte para mais notícias sobre surfe.

O próximo desafio: a conquista de Teahupo’o

Com sua posição consolidada em Nazaré, Will Santana já projeta o próximo grande desafio de sua carreira: Teahupo’o, no Taiti. Conhecida por suas ondas pesadas e tubulares que quebram sobre um recife raso, Teahupo’o é considerada uma das ondas mais perigosas e cobiçadas do mundo, sendo inclusive palco de uma etapa do Circuito Mundial da WSL.

O projeto de surfar Teahupo’o exige um planejamento meticuloso, principalmente devido aos altos custos da viagem e à necessidade de encontrar as condições ideais. Santana busca um swell perfeito, com ondas grandes o suficiente para se destacar em meio à forte concorrência dos surfistas locais, que dominam o pico e são os principais a pegar as maiores bombas.

Fonte: uol.com.br

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