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Música na Copa do Mundo: como a Fifa define a trilha sonora dos estádios

Música na Copa do Mundo: como a Fifa define a trilha sonora dos estádios

A estratégia por trás da curadoria musical nos estádios

A experiência de assistir a uma partida da Copa do Mundo vai muito além das quatro linhas. O som ambiente que ecoa nas arquibancadas não é fruto do acaso, mas sim de um planejamento meticuloso executado pela Fifa. A entidade mantém uma Equipe de Entretenimento nos Estádios, responsável por gerenciar um repertório que supera 750 faixas selecionadas estrategicamente antes mesmo do início do torneio.

Esse processo envolve uma colaboração direta com as federações nacionais. O objetivo é equilibrar clássicos universais do futebol com hinos que possuem significado cultural para cada país participante. A curadoria define momentos específicos para a execução das canções, como o anúncio das escalações, o período de aquecimento dos atletas e a celebração imediata após a marcação de um gol.

Identidade cultural e o peso emocional das canções

As escolhas musicais funcionam como um retrato da identidade de cada nação. Enquanto a Coreia do Sul aposta na força global do K-Pop com artistas como Blackpink e BTS, o México resgata a tradição folclórica com o Mariachi Vargas. Já a Argentina utiliza o ritmo de Los Fabulosos Cadillacs, cuja letra carrega um contexto histórico profundo sobre as ditaduras latino-americanas da década de 1970.

A eficácia dessas escolhas depende da capacidade de conexão com o público. Segundo o autor britânico Andrew Lawn, músicas que se tornam icônicas em estádios precisam ser reconhecíveis e divertidas. Quando uma faixa é associada a um momento de vitória ou a uma emoção coletiva intensa, ela tende a ser eternizada na memória dos torcedores, transformando-se em um símbolo daquela campanha específica.

A evolução das playlists durante o torneio

A dinâmica sonora nos estádios também responde às reações das arquibancadas. Um exemplo marcante ocorreu com a música Wonderwall, da banda Oasis, que se consolidou como um hino da torcida inglesa após o sucesso na estreia da equipe na Copa do Mundo de 2026. A conexão entre jogadores e torcedores através da música é vista como um elemento vital para o moral do time.

Em contrapartida, a busca por uma identidade sonora pode ser um desafio para culturas esportivas mais recentes ou dispersas. Nos Estados Unidos, a adoção de Country Roads, de John Denver, reflete uma tentativa de criar uma tradição própria. Especialistas apontam que a autenticidade desses hinos é testada pelo tempo: apenas a repetição constante ao longo de décadas poderá transformar uma escolha atual em uma tradição genuína do futebol nacional.

Fonte: uol.com.br

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