O atacante Memphis Depay, que chegou ao Corinthians há dois anos, atravessa seu momento mais delicado no clube. Uma crescente insatisfação, tanto pela sua conduta fora de campo quanto pelo rendimento apresentado nas partidas, tem se manifestado entre parte do elenco e profissionais do Corinthians. A apuração revela um cenário de incômodo que coloca o jogador holandês no centro das discussões internas em um período de crise para a equipe.
A percepção é que Memphis não tem assumido um papel de liderança proativa diante dos desafios coletivos, o que contrasta com a expectativa de alguns membros do grupo. Essa postura tem gerado questionamentos sobre o seu comprometimento com os problemas do time, especialmente em um contexto de dificuldades que afetam o ambiente do clube.
Críticas ao desempenho em campo e expectativas não atendidas
Além das questões relacionadas à liderança, o rendimento do camisa 10 também é alvo de críticas. Profissionais do Corinthians avaliam que, apesar de já apresentar boas condições físicas, o atacante ainda não alcançou o desempenho esperado em campo. Essa discrepância entre a capacidade física e a performance tem levado a discussões sobre a sua permanência como titular.
Há quem defenda, inclusive, que Memphis perca espaço na equipe principal. O técnico Clarence Seedorf, que chegou com carta branca da diretoria para promover as mudanças necessárias, tem autonomia para tomar decisões desse tipo. Com isso, o atacante deixou de ser considerado um jogador “intocável” nos bastidores do clube, indicando uma possível alteração em sua posição dentro do elenco.
Liderança questionada em tempos de crise
O incômodo com Memphis não se restringe apenas ao seu desempenho técnico. Parte dos profissionais que acompanham o dia a dia do Corinthians percebe que o atacante costuma se posicionar com mais veemência quando o assunto envolve seus interesses pessoais, mas demonstra menor disposição diante dos problemas coletivos. Essa disparidade na forma de atuação tem gerado frustração.
A expectativa, especialmente entre os jogadores, era que Memphis se manifestasse de forma mais ativa diante das dificuldades atuais, que incluem atrasos e pendências financeiras que afetam tanto o clube quanto os atletas. A ausência de um posicionamento mais firme do holandês em questões coletivas tem sido notada, em contraste com a atuação de outros líderes do elenco.
O papel do atacante e a dinâmica do vestiário
Nesse cenário de questionamentos, outros jogadores têm assumido um papel mais ativo nas conversas do elenco. O zagueiro Gustavo Henrique, que divide a capitania com Rodrigo Garro, tem se destacado ao tomar a frente em discussões e movimentos recentes do grupo. Um exemplo ocorreu após uma derrota para o Fluminense, quando Gustavo Henrique e Garro convidaram Memphis para uma reunião com a diretoria em defesa da permanência do então técnico Fernando Diniz.
Embora Memphis tenha aceitado participar da reunião, em parte devido à sua boa relação com Diniz, o treinador acabou demitido posteriormente. Já o zagueiro André Ramalho, conhecido por defender suas opiniões, tem uma atuação mais discreta na liderança, mas diverge de atitudes de Memphis que considera individualistas. Um episódio citado, embora negado pelo defensor, envolveu um movimento contrário à presença de um amigo de Memphis no vestiário do clube.
Apesar das divergências, pessoas próximas a André Ramalho reconhecem a influência positiva de Memphis no clube. Contudo, a avaliação de outros profissionais no CT Joaquim Grava é que o atacante poderia exercer essa influência de maneira mais ativa e engajada com os problemas do grupo. Memphis, por sua vez, indicou que pretende esperar a equipe superar a fase negativa em campo antes de avançar em conversas sobre melhorias específicas, como as relacionadas ao marketing, área de seu interesse. Essa postura contrasta com momentos anteriores, quando o jogador cobrava mudanças estruturais e se posicionava sobre a imagem do Corinthians. Acompanhe mais notícias do Corinthians aqui.
Há, contudo, quem compreenda a posição do holandês, argumentando que ser o jogador mais bem pago do elenco não implica em assumir a responsabilidade por todos os problemas do clube. A avaliação interna é que Memphis não precisa concentrar as funções de liderança como o antigo capitão Cássio. Ainda assim, parte dos jogadores e profissionais entende que o atacante poderia participar mais das conversas internas e demonstrar maior envolvimento com o grupo neste momento de crise.
Fonte: uol.com.br

































