A cada grande torneio do circuito profissional, o debate sobre a duração das partidas de tênis ressurge com intensidade. Questionamentos sobre a viabilidade dos jogos em melhor de cinco sets ganham força, especialmente quando confrontos épicos se estendem por horas, levantando a dúvida se formatos mais curtos seriam o caminho para atrair um público mais jovem e ampliar a audiência da modalidade.
A análise da estrutura do calendário masculino revela que a percepção de excesso de tempo é, em grande parte, restrita aos torneios de Grand Slam. A vasta maioria dos jogos disputados ao longo da temporada possui menos de duas horas de duração, o que indica que a extensão das partidas não é uma característica onipresente no esporte, mas sim um elemento específico dos quatro eventos anuais que definem o topo do ranking mundial.
O impacto real das mudanças de formato
A tentativa de encurtar partidas através de regras como o no-ad e o match tie-break já foi implementada nas chaves de duplas, buscando dinamizar o produto. No entanto, os resultados práticos não confirmaram a teoria de que a redução do tempo elevaria o interesse do público ou revitalizaria a categoria. Pelo contrário, a própria ATP discute atualmente novas formas de gerir a modalidade, sugerindo que a simplificação das regras não foi a solução mágica para a retenção de espectadores.
Existe ainda uma falácia comum sobre a suposta incapacidade das novas gerações em consumir conteúdos longos. O sucesso de transmissões de gamers, que frequentemente ultrapassam dez horas de exibição com milhões de espectadores jovens, demonstra que o engajamento está mais atrelado à qualidade do entretenimento e aos recursos de transmissão do que estritamente à duração do evento esportivo.
Logística e a gestão da programação
Críticos do formato de cinco sets frequentemente apontam o encerramento de partidas durante a madrugada como um sinal de falha estrutural. Embora situações como o duelo entre Shelton e Alcaraz evidenciem o desgaste para atletas e funcionários, a responsabilidade parece recair mais sobre a organização dos torneios do que sobre as regras do jogo. Eventos como Wimbledon, que impõe um limite de horário, ou Roland Garros, com uma gestão distinta das sessões noturnas, provam que é possível evitar o esgotamento dos envolvidos sem sacrificar a tradição dos cinco sets.
A busca por jogos mais curtos, portanto, pode ser uma resposta a interesses comerciais específicos, carecendo de evidências concretas de que atrairia novos fãs. Ao invés de alterar a essência do esporte, o foco das entidades deveria ser uma programação mais inteligente e menos voltada apenas para o lucro imediato, preservando a integridade física dos tenistas e a qualidade do espetáculo, conforme discutido em análises sobre o tema no Saque e Voleio.
Fonte: uol.com.br

































