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Listas Trans mapeia a inclusão de pessoas trans e travestis em festivais brasileiros

Imagem gerada com IA

A presença de pessoas trans e travestis em espaços de entretenimento tem avançado, ainda que de forma gradual, no cenário cultural brasileiro. Uma iniciativa fundamental para esse movimento é o projeto Listas Trans, que desde 2023 atua para formalizar o acesso gratuito desse público a festas, shows e festivais de grande porte. O projeto é liderado por Iná Odara Cholodoski, travesti negra e doutora em sociologia pelo IESP-UERJ, que busca transformar a ocupação desses espaços não apenas na plateia, mas também nos palcos.

Panorama das Listas Trans nos festivais brasileiros

Em sua terceira edição, o relatório intitulado Listas Trans: um panorama dos festivais brasileiros de 2025 oferece uma análise detalhada sobre as políticas de acesso vigentes no país. O documento foi produzido por Iná Odara Cholodoski e Macaia Ferro, com o suporte técnico de Renato de Maria e Sol Heringer. O material foi estrategicamente divulgado em junho, mês marcado pelo Orgulho LGBTQIA+, para ampliar o debate público sobre a efetividade dessas medidas.

O dossiê vai além da coleta de dados, apresentando reflexões essenciais sobre a transparência na implementação das listas. Embora a adoção de gratuidades seja uma prática crescente, a falta de padronização e o debate sobre os resultados práticos dessas ações ainda representam um desafio para a indústria do entretenimento, que busca equilibrar a inclusão com a viabilidade operacional dos eventos.

Vozes da indústria e dos palcos

Para enriquecer o debate, o material contou com a colaboração de diversos profissionais e artistas que vivenciam a realidade dos palcos e da produção cultural. Nomes como Catto, Urias, Luedji Luna, Janvita Ribeiro e Gloria Peko compartilharam suas experiências sobre a importância de contar com uma plateia diversa. A perspectiva de quem produz também foi contemplada, com contribuições de curadores e gestores de festivais como Rock The Mountain, Coquetel Molotov, Batekoo, PSICA e Brabas Festival.

A iniciativa também é apoiada pela TRANSÄLIEN, pioneira na criação da primeira lista trans no Brasil. O conjunto de depoimentos e análises contidos no dossiê serve como um guia para que produtores e organizadores compreendam a importância de políticas afirmativas que garantam a permanência e a segurança de pessoas trans em ambientes culturais. Mais informações sobre o impacto dessas políticas podem ser acompanhadas através da Central Sonora.

Expansão e impacto prático no cenário cultural

A atuação de Iná Odara Cholodoski estende-se para além da pesquisa, consolidando parcerias estratégicas com grandes nomes da música brasileira. Atualmente, ela colabora com artistas como Liniker e Marina Sena, além de prestar consultoria para o Circo Voador, no Rio de Janeiro. A aplicação das medidas de inclusão já alcançou festivais de grande relevância nacional, incluindo o Lollapalooza, Queremos!, Rock in Rio e Afropunk.

Um exemplo recente da aplicação prática dessas políticas ocorreu na turnê BYE BYE CAJU, de Liniker. A medida de gratuidade para pessoas trans foi implementada sob a coordenação de Iná Odara, reforçando o compromisso da artista com a diversidade. No dia 11 de janeiro, a apresentação no Nubank Parque, em São Paulo, reuniu um público de 48 mil pessoas, demonstrando que a inclusão é um pilar fundamental para o sucesso de eventos de grande escala no Brasil.

Fonte: terra.com.br

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