Após o ePrix de Londres, que encerra a temporada 2025-26 neste sábado (15), a Fórmula E se despede de dois de seus maiores ícones. Sebastien Buemi e Lucas Di Grassi, os últimos pilotos em atividade que participaram da corrida inaugural da categoria em 2014, encerram um ciclo histórico no automobilismo elétrico. Enquanto o suíço focará em seu programa no WEC com a Toyota, o brasileiro oficializa sua aposentadoria das pistas.
A dupla foi o pilar fundamental da era Gen1, acumulando números expressivos que ajudaram a moldar a identidade do campeonato. Juntos, somaram 21 pole positions — sendo 17 de Buemi, que divide o recorde com Jean-Eric Vergne — e 78 pódios, além de 28 vitórias. O domínio foi coroado com os títulos mundiais de 2015-16 para o suíço e 2016-17 para o brasileiro, estabelecendo uma rivalidade técnica e esportiva que definiu os primeiros anos da competição.
O nascimento de uma nova era no automobilismo
A entrada da Renault como parceira técnica em 2013 foi o primeiro grande passo para a viabilização da categoria. Em junho de 2014, a equipe e.dams confirmou Buemi e Nicolas Prost como seus pilotos. Na época, o suíço já era um nome consolidado no endurance e atuava como reserva na Red Bull na Fórmula 1.
Em contrapartida, Di Grassi foi o pioneiro no compromisso com a categoria, atuando como piloto de desenvolvimento desde 2012. Anunciado pela equipe da Audi em fevereiro de 2014, o brasileiro trouxe a experiência de ter sido piloto de testes da Pirelli e competidor no WEC. Essa base técnica foi essencial para o desenvolvimento do campeonato.
Conflitos e a definição do primeiro campeão
A temporada inaugural começou em Pequim, em um traçado de 3,45 km. A corrida marcou o tom da categoria, com um acidente dramático na última volta entre Prost e Nick Heidfeld, permitindo que Di Grassi vencesse a prova de estreia. Buemi, por sua vez, enfrentou problemas na caixa de câmbio, mas logo demonstraria sua força ao conquistar sua primeira vitória no Uruguai.
A disputa pelo título de 2014-15 foi marcada por tensões, especialmente entre Di Grassi e Nelsinho Piquet. A rivalidade extrapolou as pistas, com trocas de farpas públicas sobre o histórico dos pilotos. Ao final, a consistência de Piquet garantiu o título por apenas um ponto de vantagem sobre Buemi, após um erro do suíço na saída dos boxes em Londres.
A consagração de uma rivalidade histórica
Na temporada 2015-16, a competição atingiu um novo patamar com a entrada das montadoras desenvolvendo seus próprios trens de força. A disputa pelo título entre Di Grassi e Buemi tornou-se o centro das atenções, com ambos terminando quase todas as corridas no pódio. A decisão em Londres, em 2016, entrou para a história como um dos momentos mais dramáticos da categoria.
Após uma colisão na primeira volta, ambos os pilotos precisaram trocar de carro e buscar a volta mais rápida para definir o campeonato. Buemi superou o brasileiro no duelo de tempos, garantindo o título em uma reviravolta improvável. O episódio consolidou a intensidade da rivalidade, que, apesar dos conflitos, elevou o nível técnico e a visibilidade da Fórmula E globalmente.
Fonte: motorsport.uol.com.br

































