O ex-presidente do São Paulo, Júlio Casares, ingressou com uma ação judicial contra o clube com o objetivo de reverter sua expulsão, oficializada no início de setembro. Em sua petição, o ex-dirigente nega a prática de gestão temerária e classifica o processo interno que culminou em seu desligamento como uma suposta trama política, buscando agora a validação de suas contas e a contestação das irregularidades apontadas pelo Conselho Deliberativo.
A disputa jurídica coloca em xeque a condução financeira da gestão que comandou o Tricolor entre 2021 e janeiro de 2026. Enquanto o clube mantém silêncio sobre o caso, a defesa de Júlio Casares sustenta que as decisões técnicas e os registros contábeis eram de responsabilidade de departamentos especializados, alegando boa-fé em todas as suas movimentações administrativas.
Defesa de Casares e a justificativa para saques financeiros
No centro do embate estão os R$ 11 milhões sacados durante o período de gestão, valor que foi monitorado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em sua defesa, o ex-presidente argumenta que o montante representa uma parcela reduzida frente ao volume total de recursos movimentados pelo clube e justifica a necessidade de dinheiro em espécie para o pagamento de premiações por títulos conquistados.
O ex-mandatário cita como exemplo o período vitorioso que incluiu a conquista inédita da Copa do Brasil em 2023 e da Supercopa Rei em 2024. A petição reforça que o uso de premiações em espécie seria uma prática comum no ambiente do futebol, mencionando declarações anteriores do atual diretor executivo, Rafinha, que corroborariam a existência desse modelo de pagamento no cotidiano da instituição.
Investigações e o parecer da Comissão de Ética
A expulsão de Júlio Casares foi aprovada pelo Conselho Deliberativo com 224 votos favoráveis, contra apenas dois votos contrários e cinco abstenções. A decisão baseou-se em um relatório da Comissão de Ética, que apontou o uso indevido do cartão corporativo — com gastos próximos a R$ 1 milhão, dos quais apenas R$ 506,4 mil foram reembolsados — e a falta de comprovação de destino para R$ 7 milhões do total sacado.
O documento final da comissão refuta as alegações de cerceamento de defesa feitas pelo ex-presidente. Segundo o relatório, o clube disponibilizou um vasto conjunto de documentos, incluindo relatórios de auditoria, respostas de compliance e faturas, permitindo que a defesa tivesse acesso aos dados necessários para formular seus argumentos durante o processo administrativo que tramitou no São Paulo.
Desdobramentos na esfera pública e judicial
Além do processo interno, o caso é objeto de uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. As autoridades investigam possíveis irregularidades na gestão, e Júlio Casares já tentou, sem sucesso até o momento, anular as diligências em curso na Justiça comum. O ex-presidente deixou o cargo após um processo de impeachment, antes mesmo da conclusão do mandato original.
A nova ação judicial busca agora que o Poder Judiciário reconheça a regularidade das prestações de contas aprovadas entre 2021 e 2024. O ex-dirigente exige que o clube apresente documentos que comprovem a tese de gestão temerária, mantendo o impasse jurídico que envolve uma das gestões mais vitoriosas e, simultaneamente, mais conturbadas da história recente do clube paulista.
Fonte: uol.com.br

































