O baterista Josh Dun, integrante do duo Twenty One Pilots, manifestou uma postura firme contra a integração de tecnologias de inteligência artificial no processo criativo musical. Em entrevista recente, o músico destacou que a banda, que encerrou a última noite do Rock in Rio 2026, opta por manter a produção de seus álbuns estritamente humana, evitando ferramentas de automação que, segundo ele, representam um caminho perigoso para a indústria.
A resistência do Twenty One Pilots à inteligência artificial
Para Dun, o uso de supercomputadores e sistemas de aprendizado de máquina traz um desconforto imediato. O artista argumenta que não enxerga benefícios reais na aplicação dessas tecnologias, sugerindo que existe uma intenção oculta por trás das grandes corporações de tecnologia que controlam a infraestrutura e a retenção de dados necessários para o funcionamento desses modelos.
O músico reforçou que a essência do trabalho da banda, formada por ele e pelo vocalista Tyler Joseph, reside na conexão humana. Desde a ascensão ao sucesso com o álbum Blurryface, em 2015, até o lançamento mais recente, Breach (2025), o duo tem priorizado a experimentação orgânica, misturando elementos de rock, pop e hip hop sem recorrer a atalhos algorítmicos.
O valor da imperfeição e das decisões humanas
Josh Dun defende que a qualidade de uma obra musical está intrinsecamente ligada às chamadas “micro decisões” tomadas pelos artistas durante a gravação. O baterista exemplifica que a busca pelo timbre ideal de uma guitarra ou a escolha de gravar baterias em salas diferentes são processos que conferem alma à música, algo que ele acredita ser impossível de replicar artificialmente.
“Eu gravei as baterias para nossos últimos dois discos aqui, e eu sinto que tenho todas as ferramentas que preciso para fazer isso”, afirmou Dun. Para o artista, a imperfeição característica das performances ao vivo e a busca intencional por batidas mais “sujas” e complexas são elementos fundamentais que definem a identidade sonora do Twenty One Pilots.
Cenário da indústria e o futuro da tecnologia
A posição de Dun surge em um momento de intenso debate jurídico e ético no setor fonográfico. Em 2024, a plataforma Suno enfrentou processos de grandes gravadoras por violação de direitos autorais, culminando em acordos recentes com empresas como o Warner Music Group para o uso de gravações licenciadas no treinamento de novos modelos de IA.
Embora reconheça que a tecnologia possa ter utilidades funcionais, o baterista mantém sua convicção de que a arte deve permanecer um domínio humano. A banda reafirma que, apesar das inovações constantes no mercado, não pretende adotar nenhum desses recursos em suas composições futuras, mantendo o foco na autenticidade de sua trajetória artística.
Fonte: terra.com.br


































