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Gestão de frotas no Brasil passa por transformação com uso de IA e 5G

Gestão de frotas no Brasil passa por transformação com uso de IA e 5G

A gestão de frotas no Brasil atravessa uma mudança de paradigma, impulsionada pela integração da inteligência artificial e da conectividade 5G. O modelo tradicional, que limitava o monitoramento à localização geográfica dos veículos, cede espaço para uma abordagem ativa e preditiva. Essa evolução permite uma leitura em tempo real do que ocorre dentro e ao redor da cabine, elevando os padrões de segurança operacional em todo o território nacional.

O setor enfrenta o desafio de reduzir o impacto do fator humano, que, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, é responsável por mais da metade dos acidentes em rodovias federais. Com a implementação de tecnologias como a visão computacional embarcada, as empresas buscam mitigar riscos antes que se tornem colisões, transformando a telemetria em uma aliada estratégica na prevenção de sinistros.

A ascensão da gestão de frotas com inteligência artificial

A tecnologia por trás dessa transformação baseia-se na computação de borda, onde o processamento de dados ocorre diretamente no equipamento instalado no veículo. Dashcams inteligentes identificam sinais de fadiga, distrações e o uso indevido de dispositivos móveis em milissegundos. Essa capacidade de resposta imediata altera a função da câmera, que deixa de ser apenas um registro de eventos para atuar como um sistema preventivo constante.

A necessidade dessa tecnologia é evidenciada por estatísticas preocupantes. Em 2024, a desatenção foi apontada como a causa de 42% das ocorrências registradas em rodovias federais. Ao integrar sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) e monitoramento do motorista (DMS), as empresas conseguem não apenas reduzir acidentes, mas também criar um histórico objetivo para auditorias e treinamentos comportamentais.

Desafios técnicos e a necessidade de modernização

Apesar dos benefícios, a transição para sistemas modernos enfrenta barreiras técnicas significativas. Muitas centrais de rastreamento ainda operam sobre sistemas legados, projetados em épocas anteriores à alta densidade de dados exigida pela Internet das Coisas (IoT) e pelo 5G. Quando essas plataformas tentam processar fluxos pesados de vídeo, frequentemente sofrem com quedas de desempenho e falhas de comunicação.

Segundo André Luiz Ota, CEO da Ikonn, a arquitetura monolítica de muitos sistemas atuais é o principal gargalo para o crescimento. O executivo defende a adoção de engenharia de sistemas com componentes independentes e escalabilidade horizontal. Esse modelo garante que o aumento da frota, seja para centenas ou milhares de veículos, não comprometa a latência dos alertas críticos nem a qualidade das análises em tempo real.

Soberania de dados e o futuro do setor

O mercado de monitoramento na América Latina segue em franca expansão, com projeções da consultoria Berg Insight indicando uma base instalada de 20,6 milhões de unidades até 2030. Nesse cenário, o conceito de soberania de dados torna-se um diferencial competitivo. O domínio sobre a própria informação permite que empresas cruzem dados de vídeo, consumo de combustível e manutenção em painéis unificados.

A tendência é que a vídeo telemetria se torne o padrão operacional, integrando-se a sistemas de gestão empresarial e adaptando-se às novas demandas, como o controle de autonomia para frotas elétricas. Para os gestores, a maturidade tecnológica deixou de ser um detalhe de infraestrutura para se consolidar como um critério indispensável de crescimento e continuidade dos negócios.

Fonte: terra.com.br

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