A “geração de ouro” da Bélgica, que por quase uma década foi aclamada como uma das mais talentosas do futebol mundial, encontra-se em um momento decisivo na Copa do Mundo de 2026. Com nomes como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Eden Hazard e Thibaut Courtois, a seleção belga elevou o país a um patamar inédito, mas a promessa de um título mundial nunca se concretizou. O confronto de hoje contra Senegal, no Lumen Field, em Seattle, não é apenas um mata-mata, mas pode ser o capítulo final de uma era.
Este jogo carrega o peso de uma expectativa não totalmente cumprida, marcando o que pode ser o último grande desafio para muitos dos pilares que definiram essa equipe. A pressão é imensa, e o relógio para o fim de um ciclo vitorioso, porém sem o ápice do título mundial, está cada vez mais próximo de zerar.
O brilho efêmero da geração belga e o auge de 2018
Por anos, a geração belga foi sinônimo de talento e profundidade, capaz de rivalizar com qualquer potência do futebol. O auge dessa equipe foi alcançado na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, onde a Bélgica exibiu um futebol envolvente e protagonizou momentos memoráveis. Após uma fase de grupos sólida, a seleção belga superou o Japão em uma virada emocionante nas oitavas de final, vencendo por 3 a 2 após estar perdendo por dois gols.
Nas quartas de final, os belgas entregaram uma atuação de gala contra o Brasil, um jogo que se tornou um marco para a geração. Com um desempenho tático impecável, neutralizando os pontos fortes da seleção brasileira e sendo letal nos contra-ataques, a Bélgica venceu por 2 a 1. O gol contra de Fernandinho e o golaço de De Bruyne naquele jogo simbolizaram a noite em que a Bélgica abraçou o rótulo de candidata ao título mundial. Contudo, o sonho foi interrompido na semifinal, com uma derrota por 1 a 0 para a França, que viria a ser a campeã. Apesar do terceiro lugar, a melhor campanha do país em Copas, a sensação era de que aquele elenco merecia mais.
A queda no Catar e os sinais de desgaste da equipe
Quatro anos depois, na Copa do Mundo do Catar, a trajetória da Bélgica foi abrupta e decepcionante. A seleção chegou ao torneio cercada por dúvidas, conflitos internos e sinais evidentes de desgaste físico e técnico de seus principais jogadores. O resultado foi uma eliminação precoce ainda na fase de grupos, um desfecho desastroso para uma equipe com tantas expectativas.
Relatos de atritos entre os veteranos da “geração de ouro” e os jogadores mais jovens vieram à tona, com discussões internas e contradições públicas. Um dos momentos mais emblemáticos foi a declaração de De Bruyne antes do torneio, afirmando que a Bélgica não tinha chances reais de ser campeã por estar “muito velha”. Essa fala repercutiu amplamente e se tornou um símbolo do declínio da geração, que, de fato, não conseguiu reverter as expectativas negativas.
Desempenho atual e o desafio final na Copa de 2026
O desempenho da Bélgica na Copa de 2026, até o momento, não inspira grande confiança. A equipe estreou com um empate em 1 a 1 contra o Egito e tropeçou novamente com um 0 a 0 diante do Irã nas duas primeiras rodadas, resultados considerados decepcionantes. A classificação para as oitavas de final só foi garantida na última rodada, com uma vitória por 5 a 1 sobre a modesta Nova Zelândia, mas sem convencer plenamente.
De Bruyne, embora ainda seja o cérebro da seleção e o símbolo técnico da geração, está longe do auge físico de anos anteriores. Lukaku, por sua vez, permanece como referência ofensiva, mas lida com desgaste, lesões e oscilações, não sendo mais um titular absoluto. Outros pilares de 2018 perderam protagonismo ou já não fazem parte do elenco. Por isso, o duelo contra Senegal ganha contornos ainda mais dramáticos. Uma eliminação neste jogo pode significar o fim do sonho para De Bruyne, Lukaku e seus companheiros, encerrando o ciclo da espinha dorsal que sustentou a melhor Bélgica da história. Acompanhe as últimas notícias da Copa do Mundo aqui.
Por anos, o rótulo da Bélgica foi “dourado”, mas o ouro da taça do mundo, até agora, não veio. A partida de hoje pode ser a última chance para essa talentosa geração deixar um legado ainda maior no cenário do futebol mundial.
Fonte: uol.com.br


































