A 24ª edição da Festa Internacional de Paraty, a Flip, deu início às suas atividades na noite desta quarta-feira, 22, com uma homenagem profunda à poeta Orides Fontela. O evento, que segue até o domingo, 26, na cidade histórica fluminense, colocou a palavra no centro das atenções ao celebrar a trajetória da autora homenageada deste ano.
Abertura da Flip 2026 com Marília Garcia e Augusto Massi
A mesa de abertura foi conduzida pela poeta e ensaísta Marília Garcia e pelo crítico literário Augusto Massi. A performance inicial de Marília Garcia estabeleceu o tom do encontro, entrelaçando a obra de Orides Fontela com reflexões sobre a própria vida, incluindo passagens pessoais e a perda recente do escritor argentino Aníbal Cristobo, ocorrida em março de 2026.
Durante a apresentação, Marília Garcia compartilhou uma descoberta singular: ao buscar um livro na biblioteca da Puc-Rio, encontrou um papel com um poema de Orides Fontela contendo a inscrição “passe adiante”. O gesto simbólico foi replicado no palco da Flip, reforçando o caráter de conexão que a literatura da autora estabelece com seus leitores ao longo das décadas.
O legado literário e a trajetória de Orides Fontela
A importância de Orides Fontela para a literatura brasileira foi detalhada por meio de memórias e análises críticas. O crítico Davi Arrigucci Júnior, conterrâneo da poeta em São João da Boa Vista, foi peça fundamental na trajetória da escritora. Foi ele quem apresentou o trabalho de Orides Fontela a Antonio Candido, figura central do Suplemento Literário do Estadão, que impulsionou o reconhecimento da obra da autora.
Em um vídeo exibido durante a mesa, Davi Arrigucci Júnior relembrou o início da convivência com a poeta ainda na escola. O crítico destacou a evolução da escrita de Orides Fontela, observando que, após reencontrar seus textos anos mais tarde, percebeu a dimensão formidável e fora do comum de sua produção poética.
Análise da poesia visual e plástica da autora
Ao encerrar o debate, Augusto Massi analisou a concisão e a força da obra de Orides Fontela, composta por cinco livros e pouco mais de 200 poemas. O crítico enfatizou que a autora possuía um gosto refinado por uma “poesia visual e plástica”, que transcende os aspectos biográficos de sua vida pessoal.
Para ilustrar essa evolução, Augusto Massi percorreu os livros Rebeca, São Sebastião, Penélope, Gatha e Vésper. Segundo o crítico, a obra de Orides Fontela mantém um caráter universal, posicionando-a como uma das vozes mais significativas da literatura brasileira, cuja complexidade merece ser estudada para além das anedotas que cercaram sua trajetória.
Fonte: terra.com.br


































