O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, submeteu ao plenário presencial da Corte, nesta segunda-feira, 28, o caso envolvendo a remoção de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. A medida ocorre após uma divergência jurídica em relação a uma decisão monocrática proferida pelo ministro André Mendonça, que determinou a exclusão de conteúdos que associavam o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, a uma suposta intenção de alterar a padroeira do Brasil.
Princípio da colegialidade e decisões monocráticas
Em seu despacho, Flávio Dino enfatizou a relevância do tema, justificando a necessidade de uma análise coletiva pelos magistrados. O ministro argumentou que a decisão de André Mendonça, emitida na sexta-feira, 26, levanta questões fundamentais sobre o exercício do poder monocrático no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dino ressaltou que a análise é imperativa para reforçar o princípio da colegialidade. O objetivo é estabelecer diretrizes claras sobre a submissão de decisões tomadas por juízes da propaganda ao referendo do plenário do TSE, evitando que medidas individuais impactem o fluxo de informações durante o processo eleitoral.
Riscos de censura e insegurança jurídica
O magistrado alertou para o perigo de uma censura em massa, especialmente devido à proximidade com o dia 12 de outubro, feriado nacional dedicado à padroeira. Segundo Flávio Dino, a manutenção da atual insegurança jurídica pode resultar na remoção indiscriminada de postagens, inclusive de fiéis que prestam homenagens à santa.
O ministro também questionou o papel das plataformas digitais na moderação de conteúdo. Ele defende uma revisão sobre os poderes atribuídos às empresas de tecnologia para definir o que deve ser removido da rede em momentos cruciais da disputa política, garantindo que a liberdade de expressão seja preservada sem comprometer a integridade do pleito.
Origem do embate judicial
O conflito teve início após uma publicação do humorista Antônio Tabet na rede social X. No post, o autor mencionou que uma “família miliciana” atacaria a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sem citar nominalmente o político. Posteriormente, Flávio Bolsonaro sentiu-se atingido, o que motivou a defesa a buscar a remoção do conteúdo.
A defesa de Antônio Tabet contestou a decisão de André Mendonça, apontando fragilidade jurídica na interpretação do magistrado. O caso, agora sob análise do plenário do STF, coloca em xeque os limites entre a proteção à honra de candidatos e a liberdade de crítica política no ambiente digital. Para mais detalhes sobre o funcionamento da Corte, consulte o portal oficial do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: terra.com.br

































