Pouco mais de uma semana após o encerramento da Copa do Mundo de 2026, a Fifa revelou um plano ambicioso para reestruturar suas finanças. A entidade máxima do futebol mundial anunciou a criação de uma nova empresa, a Fifa Forward Enterprise (FFE), com o objetivo de consolidar direitos comerciais — incluindo transmissões, patrocínios, venda de ingressos e licenciamentos — para captar até US$ 10 bilhões junto a investidores externos.
O movimento visa financiar o desenvolvimento do esporte global, mas a proposta já enfrenta resistência severa. Entre os interessados em participar do consórcio, destaca-se a Thrive Eternal, empresa fundada por Joshua Kushner. O empresário é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que adiciona uma camada de complexidade política e escrutínio público à operação financeira.
Estrutura e objetivos da Fifa Forward Enterprise
A nova estrutura, denominada Fifa Forward Enterprise, funcionará como um braço operacional para a exploração comercial dos torneios da entidade. Segundo comunicado oficial, a Fifa planeja convidar terceiros para adquirir participações minoritárias, estimadas inicialmente em 20%, sem que esses investidores obtenham poder de controle sobre as decisões esportivas.
A entidade assegura que manterá a autoridade exclusiva sobre governança, calendários e regulamentos. A expectativa é que a FFE gere US$ 4,2 bilhões ainda neste ano. O montante arrecadado será destinado ao Programa Fifa Fast Forward (FFFP), um mecanismo que pretende centralizar fundos para reinvestimento nas associações-membro ao longo dos próximos quatro anos.
A influência de Joshua Kushner e o ecossistema Thrive
Para viabilizar a operação, a Fifa conta com a assessoria do banco JP Morgan e a liderança da Thrive Eternal na formação do consórcio de investidores. Joshua Kushner, que fundou a Thrive Capital em 2009, diversificou seus negócios com a criação da Thrive Eternal em 2026, focada em ativos de longo prazo, como franquias esportivas e instituições culturais.
A relação entre a Fifa e o ecossistema de Kushner não é recente. A transição dos direitos de colecionáveis da Panini para a Topps, controlada pela Fanatics, também possui conexões indiretas com a gestora de Joshua, que é investidora da Fanatics. Embora o empresário mantenha um histórico político distinto de seu irmão, a proximidade familiar com o governo de Donald Trump tem gerado debates sobre a influência corporativa no esporte.
Resistência europeia e críticas à mercantilização
A proposta de privatização parcial da Fifa provocou uma reação imediata e negativa na Europa. A Uefa foi enfática ao declarar que a alma do futebol não deve ser tratada como um ativo especulativo. Entidades como a FA (Associação de Futebol da Inglaterra) também manifestaram surpresa e preocupação com a falta de transparência sobre o destino dos lucros.
Políticos e ex-dirigentes, incluindo o ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, criticaram a lógica financeira excessiva que, segundo eles, ameaça a integridade do esporte. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, reforçou o coro de desaprovação, afirmando que a Copa do Mundo não é um produto a ser vendido, mas um patrimônio que pertence aos torcedores. Para mais detalhes sobre o posicionamento das entidades, consulte o site oficial da Uefa.
Fonte: gazetaesportiva.com

































