Em um cenário marcado por intensa polarização política e tensões institucionais após o primeiro turno das eleições, a edição recente do programa Fantástico, da TV Globo, tornou-se alvo de questionamentos sobre sua linha editorial. Enquanto o debate público brasileiro fervilhava com denúncias envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral e trocas de acusações entre as campanhas presidenciais, o dominical optou por uma abordagem que priorizou temas de comportamento e variedades em detrimento da cobertura política aprofundada.
Descompasso entre a pauta e o momento político
O programa, que possui mais de 3 horas de duração, dedicou pouco menos de 5 minutos para abordar as agendas dos candidatos à presidência. A escolha da produção em focar em assuntos como dilemas da adolescência, tecnologia e crônicas policiais gerou um contraste acentuado com o clima de ebulição que tomava conta do país nas redes sociais e nos bastidores do poder.
A ausência de um aprofundamento sobre os temas que dominavam o noticiário da semana foi interpretada por críticos como uma desconexão com a realidade brasileira. Em momentos de crise institucional, o papel do telejornalismo é frequentemente colocado sob escrutínio, especialmente quando a audiência espera clareza e análise sobre os fatos que impactam diretamente o processo democrático.
Contraste com a cobertura de apuração
A percepção de omissão editorial ganha força ao ser comparada com a atuação da emissora na semana anterior, durante a apuração dos votos. Naquela ocasião, a cobertura foi marcada por agilidade e rigor analítico, sob o comando de jornalistas como César Tralli e Renata Lo Prete. A mudança abrupta de tom em apenas sete dias levantou debates sobre a estratégia de programação do dominical.
Analistas apontam que essa postura pode estar relacionada a uma tentativa de manter um perfil de revista de variedades, mas o resultado, segundo críticos, é um distanciamento do público que busca informações de impacto. A queda de audiência acumulada pelo programa nos últimos anos é vista por especialistas como um reflexo direto dessa dificuldade em equilibrar o entretenimento com a urgência do jornalismo factual.
Fonte: terra.com.br


































